Os
desafios sanitários e as novas estratégias de controle do vírus de Gumboro
estiveram no centro das discussões que encerraram a programação científica do
26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), na manhã desta quinta-feira (9), no
Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó. Promovido pelo
Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), a palestra
“Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle do vírus” foi
conduzida pelo pesquisador Gonzalo Tomás,
que destacou a complexidade crescente no enfrentamento da enfermidade.
Professor
da Secção de Genética Evolutiva da Universidade da República (Uruguai), Gonzalo
trouxe uma análise atualizada sobre os genótipos do vírus que circulam no
Brasil e em diferentes regiões do mundo, ressaltando que a diversidade genética
tem sido um dos principais entraves para o controle eficaz da doença. Segundo
ele, o vírus de Gumboro segue como um problema global e passa por uma mudança
epidemiológica importante. “Observamos diferentes variantes com características
genéticas, antigenicidade e patogenia distintas, o que desafia as estratégias
tradicionais de controle”, explicou.
De acordo
com o pesquisador, há uma redução nos casos clínicos evidentes, mas um aumento
significativo das formas subclínicas da doença. “Muitas dessas variantes não causam
infecção com sinais clínicos evidentes, mas continuam se replicando e causando
prejuízos produtivos. Isso faz com que o problema passe despercebido, enquanto
o vírus segue circulando”, alertou.
Gonzalo
destacou que, diante desse cenário, os métodos convencionais têm se mostrado
insuficientes para o controle de algumas variantes. “As evidências indicam que
os esforços atuais não estão sendo suficientes para determinados genótipos, e
precisamos entender melhor as razões para isso”, pontuou.
Como
caminho para avançar no controle da doença, o pesquisador reforçou a
necessidade de intensificar o monitoramento sanitário e aprimorar as
ferramentas de diagnóstico. “É fundamental ampliar a coleta sistemática de
amostras nas granjas, investir em técnicas mais sensíveis e rápidas de
diagnóstico e avançar na caracterização genética dos vírus, inclusive em aves
aparentemente saudáveis. Precisamos procurar ativamente, porque muitas vezes
não sabemos que o vírus está presente”, destacou.
Ele
também enfatizou a importância de desenvolver estratégias de controle mais
adaptadas à realidade local. “Precisamos de ferramentas alinhadas às variantes
que estão circulando em cada região. Esse é um passo essencial para aumentar a
eficiência das medidas sanitárias e reduzir os impactos da doença na produção”,
concluiu.
INFLUENZA AVIÁRIA
Na
sequência, a auditora fiscal federal agropecuária, do Ministério da Agricultura
e Pecuária (MAPA), Taís Barnasque, apresentou
um panorama prático sobre o plano de contingência para influenza aviária, com
base em um caso real no Brasil. A palestra demonstrou a importância de
respostas rápidas, treinamento contínuo dos profissionais para o enfrentamento
de emergências sanitárias, integração entre órgãos e execução rigorosa de
medidas como vigilância epidemiológica, interdição de áreas, eliminação de
focos e desinfecção, fundamentais para conter a disseminação da doença e
restabelecer o status sanitário.