As doenças respiratórias e os problemas entéricos representam um grande desafio para a avicultura e exigem atenção redobrada ao manejo, além de ações rápidas de controle. Os médicos veterinários Renata Casagrande e Ricardo Rauber abordaram métodos de diagnóstico e estratégias para controle desses desafios no bloco sanidade, durante a programação desta quinta-feira (9) do 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet).
Renata debateu a laringotraqueíte
infecciosa das galinhas, enfermidade considerada estratégica por seu impacto
sanitário e econômico, com foco na tríade do diagnóstico. Essa abordagem reúne
três abordagens fundamentais: a análise epidemiológica, a observação de sinais
clínicos e achados de necropsia, além de exames laboratoriais, como
histopatologia, biologia molecular e sorologia.
“A tríade do diagnóstico é
um protocolo da patologia adotado no diagnóstico de patógenos em todas as
espécies animais. No entanto, em alguns momentos o histopatológico deixa de ser
realizado na avicultura, sendo que ele é um exame primordial, que vai dar o
direcionamento para que o veterinário possa decidir sobre a necessidade de
solicitar exames complementares", explicou.
Com base nas análises, a
doutora demonstrou que esse primeiro surto
Ainda foi observado que o
vírus em circulação apresenta baixa virulência, no entanto, Renata alertou que
isso não elimina riscos, uma vez que há possibilidade de mutações que podem
mudar esse quadro. Durante o monitoramento nas propriedades, foram identificados
resultados positivos em testes sorológicos e de PCR, enquanto a vacinação com
vacina recombinante demonstrou eficácia no controle da doença, mas não a
eliminação do vírus nas propriedades positivas, segundo inquérito
epidemiológico realizado após a vacinação nessas granjas.
MICOTOXINAS
O médico veterinário Ricardo
Rauber trouxe pesquisas que demonstram os impactos das micotoxinas na saúde
intestinal das aves. De acordo o doutor, a saúde intestinal das aves deve
combinar um bom funcionamento de todos os papéis fisiológicos do órgão.
“Para que esse equilíbrio do
funcionamento seja mantido, é fundamental que as aves apresentem uma microbiota
estável, um intestino bem protegido, com camada adequada de muco, além de uma
boa função de barreira e resposta imune e, por último, vem a capacidade de
digestão e absorção de nutrientes. Essencialmente, o que esperamos de uma ave
consumindo ração é que ela tenha condição de consumir esse alimento e absorver
os nutrientes desse alimento”.
Qualquer agente, seja tóxico
ou infeccioso, que comprometa esse equilíbrio, será um desafio entérico.
Segundo Ricardo, cada micotoxina tem efeitos bem específicos na saúde
intestinal das aves. Ele citou como exemplos as aflatoxinas, fumonisinas,
Deoxinivalenol (DON), Nivalenol (NIV) e a toxina T-2, todas com impacto na
avicultura.
No dia a dia da granja, as
aves estão expostas a diversos outros desafios, como patógenos entéricos e
respiratórios, fatores ambientais, falhas de manejo e variações na qualidade da
dieta. Nesse contexto, as micotoxinas atuam frequentemente como um fator
predisponente à disbiose, aumentando a vulnerabilidade das aves a outros
agentes.
Análises mostram que as
micotoxinas afetam a estrutura do intestino, ao alterar a histomorfometria
intestinal e interferir na superfície absortiva. No campo, isso vai se traduzir
como piora da conversão alimentar. “Esse é o impacto direto nas micotoxinas
sobre o desempenho das aves", salientou.
O doutor em sanidade avícola
reforçou que as micotoxinas não são a única causa dos problemas na avicultura,
mas seu controle é importante para garantir melhores resultados na cadeia
produtiva. “Precisamos estar atentos aos resultados dos programas de monitoramento
de matérias-primas e rações e, no mínimo, considerá-las como um potencial fator
predisponente nos quadros entéricos a campo", concluiu.