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21/12/2020

Não há produção que sustente a falta de gestão nas propriedades leiteiras


Não há produção que sustente a falta de gestão nas propriedades leiteiras

Falta de gestão ainda é um dos maiores gargalos das propriedades leiteiras, apontam especialistas Wagner Beskow, Enedi Zanchet e Fernando Bracht em live do Nucleovet.

O Nucleovet – Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas promoveu, no dia 15 de dezembro, LIVE sobre os “principais gargalos que afetam a eficiência das propriedades leiteiras”. A transmissão, realizada via canal do Nucleovet no Youtube, reuniu os médicos veterinários Enedi Zanchet, Fernando Bracht e o engenheiro agrônomo Wagner Beskow. O médico veterinário Airton Vanderlinde e a jornalista Eliana Panty foram os moderadores do encontro.

Wagner Beskow, doutor em "Manejo de Sistemas Pastoris" pela Massey University, da Nova Zelândia, enfatizou que as propriedades leiteiras diferem muito com relação ao tamanho da área, clima, quantidade de animais, entre outros aspectos. No entanto, os gargalos são muito parecidos. O principal gargalo da atividade é a gestão, destacou Beskow, que também é pesquisador, consultor e sócio-diretor da Transpondo Pesquisa, Treinamento e Consultoria Agropecuária. “Falta controle dos números. Porém, as reclamações giram em torno do preço do leite, custo alto, pouca área e mão de obra escassa e pouco confiável”, afirmou Beskow, que atende a cadeia produtiva do leite em todo o Brasil, com ênfase no aumento da eficiência de processos produtivos e na geração de resultados econômicos para o produtor.

“Em minha experiência, o principal gargalo da atividade leiteira está relacionado à gestão, que impacta no manejo e na alimentação”, declarou Beskow. “Falta gestão da propriedade, sobretudo gestão dos recursos que mais estrangulam a produção, ligados à alimentação e às pessoas”, completou. “Concordo que o preço do leite tem sim um impacto grande na atividade, mas é uma variável que o tomador de decisão não tem controle”, considerou.

Para Beskow, o que as propriedades de sucesso têm feito é deixar a zona de conforto, avançando, com pequenos passos, na aquisição de maior controle e mais conhecimento. “Elas têm, assim, as rédeas nas mãos, ficando cada vez menos à mercê das flutuações de preços e também ambientais”, salientou.

Enedi Zanchet, que também é produtor de leite e presidente atual do Conselho Técnico da ACCB, acrescentou a complicada relação indústria-produtor aos gargalos apresentados por Beskow. Conforme Zanchet, a qualidade de leite difere muito entre as propriedades, dependendo de raça, alimentação, entre outros aspectos. “Temos leites diferentes, não podemos ter preços iguais”, atestou. Ele reclamou ainda da falta de regulamentação do trabalho no campo. “As leis são idênticas para quem trabalha na cidade e no campo, sendo que as atividades são significativamente diferentes”, constatou.

Falta de controles produtivos afeta resultado financeiro

Fernando Bracht, vice-presidente na Cooperativa de Serviços Agropecuários Cooper BM, observou a deficiência com relação ao controle de dados nas propriedades leiteiras. “Percebo que são feitos investimentos errados, baseados no que os vizinhos fizeram, sendo que não se conhece sequer os dados obtidos por ele. A resposta disso vai comprometer a saúde financeira do produtor”, avaliou.

Bracht aconselha desmembrar a fazenda em setores e, a partir disso, acompanhar a rotina desse protocolo operacional e diagnosticar os resultados do processo. Ele exemplifica citando que, muitas vezes, tem-se uma boa nutrição e genética, mas a reprodução compromete a saúde financeira da propriedade. Se um setor da fazenda não funciona, diz ele, interfere na saúde financeira total. “Nosso foco é gestão de processos, das pessoas e dos dados zootécnicos e financeiros”, afirma. Outro ponto, diz Bracht, é a necessidade de maior qualificação da mão de obra das propriedades leiteiras.

Beskow corrobora afirmando que em muitas propriedades não há controle algum. “Não fazem sequer o fluxo de caixa”, exemplifica. Para ele, um erro “moderno” é muito cometido no Brasil, que é a tentativa de controlar tudo. “Talvez pela facilidade das ferramentas tecnológicas disponíveis nas propriedades, gerando muitos dados automatizados”. Isso, diz ele, apresenta um volume gigante de informações que não são utilizadas adequadamente. “Temos que cuidar para não sair do período das trevas, no qual não media-se nada, para o do controle de tudo, sendo que muitos desses controles não são necessários”, explica.

Diante disso, a equipe técnica que atende os produtores deve chegar a um meio termo, pois não existe uma resposta única para todas as propriedades, avalia Beskow. “Precisamos focar em fazer bem o simples, com um controle geral. Sabemos que isso deixa brechas de informação. Quando o produtor vê resultados no simples, tem motivação para avançar um pouco mais no controle e detalhamento”, justifica Beskow. Ir do zero ao ideal desestimula o produtor, acredita ele. “O produtor não quer o ideal, ele quer resultado e o mínimo de incômodo possível”, constata.

Gargalos que devem ser sanados

Na live, a equipe de especialistas convidados pelo Nucleovet discutiu outros pontos sensíveis que impactam a eficiência nas propriedades leiteiras. A produção de volumoso foi um dos aspectos apontados. O moderador Airton Vanderlinde afirmou que, antes de ser um bom produtor de leite, é preciso ser um bom agricultor. Bracht concordou destacando o impacto do volumoso de qualidade no sistema produtivo.

Beskow acrescentou que, por incrível que pareça, muitos produtores ainda pecam nas coisas mais básicas dentro da atividade leiteira, como um simples planejamento, correção e fertilização do solo, implantação adequada e manejo, entre outros. “Ainda temos grandes gargalos produtivos na mão do produtor. Aí vemos a busca por forrageiras milagrosas enquanto a lona da silagem está furada. Assim, o produtor coloca dinheiro fora e se engana”, afirma.

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