Contextualização das falhas reprodutivas, situação do desempenho reprodutivo, fatores relacionados às perdas, diagnóstico e controle. Esses foram os temas explanados pelo médico veterinário e professor da Faculdade de Veterinária na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rafael da Rosa Ulguim, na palestra sobre a “Situação das perdas reprodutivas em sistemas de produção: diagnóstico situacional e alternativas de correção”, nesta quinta-feira (18), no Painel Nutrição e Reprodução, durante o 14º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS). O evento é promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet) no Parque de Exposições Tancredo Neves, em Chapecó (SC), com transmissão on-line ao vivo.
De acordo com Ulguim, os estudos dos últimos anos têm permitido reduzir as
perdas reprodutivas. “A eficiência reprodutiva das fêmeas suínas tem aumentado
consideravelmente devido à seleção genética, melhorias estruturais nas granjas
e avanços no manejo e saúde dos rebanhos”, frisou. Porém, as falhas reprodutivas
ainda causam importantes perdas econômicas. Para o palestrante, se o índice de
taxa produtiva nas granjas estiver abaixo de 85% o problema é grave. “Essas
granjas estão na UTI e de 30% a 40% das granjas brasileiras estão nessa
situação”, expôs.
Ulguim explicou que a tendência é associar falhas reprodutivas com doenças
infecciosas, mas a maioria dos casos não é relacionada a essa condição. “Outros
fatores como os de ambiente, genéticos, nutricionais e de manejo são
normalmente os que mais interferem. As falhas reprodutivas possuem origem
multifatorial”, frisou. Para resolver, é necessário conhecimento do manejo de
reprodução da granja, análise e coleta de dados que possam caracterizar de
forma fidedigna a epidemiologia do problema.
As principais falhas reprodutivas são relacionadas a: anestro, retorno ao
estro, aborto, redução na taxa de parto, redução do número de leitões nascidos,
entre outras.
As falhas reprodutivas reduzem o
número de leitões desmamados/fêmea/ano e promovem descartes precoces de
matrizes, afetando a taxa de retenção. “Normalmente a causa está relacionada a
problemas de manejo, porém, em outras situações, determinar a causa real do
problema é um desafio para o médico veterinário. O uso de programas de gerenciamento
de dados é fundamental para manter índices de excelência, porém, as informações
devem ser melhor exploradas. Sistemas automatizados de predição de problemas
reprodutivos devem ser criados tanto para correções antecipadas, quanto para
facilitação do diagnóstico”, finalizou Ulguim.
PROLAPSOS UTERINOS
O médico veterinário, gerente de
Marketing de Suínos da DSM Nutrição e Saúde Animal LATAM, Augusto Heck, explanou
sobre “Prolapsos uterinos: fatores predisponentes e abordagem para o controle”,
encerrando a programação científica do 14º SBSS. Ele destacou que os prolapsos
têm grande relevância pelo impacto em termos de bem-estar animal e prejuízos
zootécnicos e econômicos. Estudos mostraram que o índice de prolapso (incluindo
os três tipos: uterino, retal e vaginal) em matrizes nos Estados Unidos é 2,7%,
na Espanha de 0,8% e no Brasil de 12,1% dos casos avaliados.
Heck salientou que para estudar o
prolapso tem sido adotada a metodologia chamada de Ecopatologia, que estuda as
patologias dos animais em seu ambiente buscando as causas e fatores de risco.
Um destes fatores é o escore de períneo, que vai de 1 a 3: a fêmea escore 1
possui risco zero ou baixo; no escore 2 considera-se ter risco moderado; e a
fêmea com escore 3 possui risco elevado, por apresentar sinais como protusão na
região perineal, edema de vulva e de períneo. “Infelizmente existe pouca ação
preventiva. O que pode ser feito é a monitoria do escore perineal no periparto
focando a atenção nas fêmeas com escore 3, pois a probabilidade das mesmas
prolapsarem é elevada”, observou o palestrante. Também há predisposição
genética, mas a influência ambiental predomina.
Os fatores de risco não associados
à fêmea suína estão relacionados ao tipo de alojamento, tratamento de água,
apresentação da ração, uso do “bump feeding”, oferta de ração pré-parto e
presença de micotoxinas.
O palestrante reforçou que os
problemas envolvendo os prolapsos uterinos são complexos. “Conhecer os fatores
de risco encontrados em outros sistemas é importante, mas a determinação dos
presentes na granja, com base em metodologia científica, é fundamental para
aumentar a chance de sucesso na mitigação do impacto dos prolapsos uterinos”,
concluiu Heck, finalizando a programação científica do 14º Simpósio Brasil Sul
de Suinocultura.