Aprimorar as técnicas de nutrição é imprescindível para uma suinocultura mais produtiva e lucrativa. Por isso, o 14º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS) trouxe, nesta quinta-feira (18), especialistas para explanar sobre saúde intestinal dos suínos e imunonutrição. O evento acontece virtual e presencialmente, no Parque Tancredo de Almeida Neves, em Chapecó (SC).
O zootecnista Gabriel
Cipriano Rocha apresentou três experimentos que revelam os efeitos da matéria-prima no desempenho e saúde
intestinal dos suínos. O professor apresentou algumas oportunidades que podem
ser trabalhadas na suinocultura em busca de uma melhor produtividade. Um dos
testes que envolveu a troca de matéria-prima na creche, por exemplo, demonstrou
de que forma o plasma e a levedura podem ser usados como uma ferramenta para
aprimorar o desempenho intestinal do plantel.
Outro experimento apontou a repercussão do
processamento do farelo de trigo na nutrição da fase de terminação. Em
comparação com o farelo de trigo comum, o farelo fermentado apresentou
resultados mais satisfatórios de digestibilidade e para tornar a microbiota do
suíno mais saudável. “Autores mostraram que o farelo, quando fermentado, traz
mais diversidade na microbiota e isso é associado a uma microbiota mais
saudável. Tudo isso vai culminar com uma melhora no desempenho dos animais”.
Embora haja várias metodologias e testes que
demonstraram efeitos positivos envolvendo a matéria-prima e seu impacto na
saúde intestinal, o professor chama a atenção para a inconsistência de
resultados. “Sempre somos questionados do porque, mesmo aplicando os mesmo
conceitos, essa estratégia funcionou na granja do meu colega, mas não funcionou
na minha. A diferença de resultados está nos detalhes”, afirmou. Para
exemplificar, o professor citou uma pesquisa na qual os autores trabalharam com
três raças diferentes de suínos, submetidos a uma mesma dieta. Como o perfil da
microbiota é completamente distinto em cada raça, os resultados obtidos não
foram os mesmos. “Isso serve como justificativa para entendermos porque as
coisas nem sempre se repetem, mesmo quando usamos os mesmos métodos”.
Já o médico veterinário Breno
Castelo Beirão salientou formas de manejar a imunidade através
da nutrição. Ele explicou que a imunonutrição tem como objetivo reforçar as
defesas do animal. É uma ferramenta simples, mas com grande impacto na saúde
dos suínos.
O termo imunonutrição é originário de estudos em
humanos, no entanto, sua aplicação efetiva na cadeia produtiva é ainda algo
relativamente novo. “Embora o termo seja recente, a gente faz imunonutrição
desde sempre. A mudança que talvez esteja embutida nesse termo é no foco para a
suinocultura, que sempre vai ser a produtividade e a imunonutrição é um dos
caminhos para alcançar isso”.
Segundo Breno, quando falamos em imunidade
costumamos pensar em vacinação, só que é possível fazer com que o sistema imune
funcione melhor simplesmente alterando a dieta. “Colocando alguns nutrientes,
algumas substâncias que a gente sabe que interagem com as células do sistema
imune, que interagem com as células intestinais, teremos animais com menos
inflamações e menos mortalidade”.
O especialista abordou algumas metodologias e citou exemplos de
nutrientes, como o butirato, a levedura e seu impacto na nutrição animal. “A
função da imunonutrição não é ativar o sistema imune constantemente, mas
atingir uma dieta balanceada em busca da manutenção de um estado de
equilíbrio”.
Há muitas oportunidades de ganhos na suinocultura através da
imunonutrição, salientou Breno. “Nutrição pode ser um detalhe, mas que tem
impacto direto numa melhor produtividade. Estamos apenas começando a discutir a
imunonutrição e não tenho dúvida que cada vez vamos ouvir mais sobre isso, com
mais precisão”, completou.