Médico veterinário Rodrigo Tedesco abordou os desafios no controle do aquecimento e qualidade de ar e o especialista Steve Leeson discorreu sobre os impactos econômicos do empenamento
As boas práticas desempenhadas em cada etapa do desenvolvimento
das aves têm consequência direta na produtividade das matrizes. O cuidado com
aquecimento e qualidade de ar na fase inicial do frango de corte é fator
fundamental para que o lote atinja seu
potencial. Por isso, o 22°
Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) trouxe o médico
veterinário Rodrigo
Tedesco para abordar o tema no bloco Manejo e Nutrição desta
quinta-feira (7), último dia do evento que acontece no Parque de Exposições
Tancredo Neves, em Chapecó (SC).
Tedesco abriu a palestra salientando que, antes de se pensar na
temperatura do alojamento, é necessário garantir as condições corretas de
ambiente nas etapas anteriores da cadeia avícola. Ele revisou pontos
importantes da área de incubação e transporte das aves de 1 dia e tratou os
impactos da umidade e da temperatura no peso, conversão alimentar e mortalidade
dos pintinhos.
O controle do ambiente é um dos principais desafios da avicultura
moderna, especialmente por conta das variações climáticas enfrentadas em cada
estação e os altos custos das instalações. “Cada aviário deve ter capacidade de
aquecimento mais do que suficiente para garantir o fornecimento da ventilação
necessária e conservar a temperatura independente da época do ano. O valor
também deve ser distribuído de maneira igual, pois pode comprometer a
uniformidade das aves.”
Nos primeiros dias de vida das aves, a atenção com o aquecimento
deve ser redobrada, isso porque os pintinhos são mais propensos a sofrer caso
as condições de temperatura e ambiência não sejam corretas. “Para se ter êxito
no aquecimento da fase inicial é fundamental que o cálculo para a definição da
capacidade de aquecimento tenha levado em conta os desafios ambientais, como a
temperatura mínima no período de inverno, e as características dos materiais
utilizados na construção do aviário, por exemplo, capacidade de isolamento
térmico de cada material”, afirmou.
A temperatura da cama quando é feito o alojamento dos pintinhos é
imprescindível, por isso o pré-aquecimento do aviário é obrigatório. “Os
galpões devem ser pré-aquecidos por tempo suficiente para que se atinja a
temperatura ideal da cama, de pelo menos 28 a 30°C, antes da chegada dos
pintinhos. A temperatura e a umidade relativa (UR) devem ser estabilizadas nos
valores recomendados para garantir um ambiente confortável para os pintinhos,
na chegada ao aviário.”
O sistema de ventilação não fica para trás na ordem de
importância. “É uma ferramenta de manejo usada para tentar oferecer o máximo de
conforto às aves, independentemente das condições ambientais. A ventilação tem
como finalidade manter os níveis adequados de qualidade do ar e manter as aves
em conforto térmico”, afirmou o especialista.
Tedesco ressaltou que a observação do comportamento das aves é o
principal caminho para saber se a ventilação e a temperatura estão adequadas ou
precisam ser revistas. “Use o comportamento das aves para determinar a condição
correta. Observe o galpão, entenda se as aves estão distribuídas uniformemente,
se elas estão se comportando de forma desejada e como está a atividade nos
comedouros e bebedouros”, finalizou.
EMPENAMENTO E IMPACTOS ECONÔMICOS
Ainda nos debates sobre manejo, o professor
do Departamento de Ciência Animal e Avícola da Universidade de Guelph, no
Canadá, Steve Leeson,
discorreu a respeito dos impactos econômicos e produtivos do empenamento em
frango de corte.
As lesões na epiderme estão entre as principais
causas de condenação no setor. Para combater essas complicações, o empenamento
é uma etapa fundamental no desenvolvimento das aves, que pode garantir maior
proteção e qualidade da pele e, desta forma, reduzir perdas.
“Os principais problemas que encontramos a
respeito deste tema são situações em que o empenamento ocorre de forma lenta e
pobre, penas quebradiças, questões comportamentais, como o hábito das aves de
lamber as penas, além do impacto na qualidade da carcaça e necessidade de
energia de manutenção no caso dos frangos de cortes, bem como o impacto na
fertilidade das aves reprodutoras”, explicou.
Steve também reforçou a importância da atenção
com a nutrição, temperatura e manejo para que exerçam uma influência positiva
no empenamento. “Práticas de manejo, mudanças genéticas e processos ligados à
nutrição interferem para um bom resultado no empenamento de frangos de corte. O
produtor precisa estar atento com as temperaturas de incubação e criação, a
densidade de estocagem, os programas de vacinação, a intensidade da luz e
garantir que as aves recebam os níveis de zinco e iodo adequados”, destacou o
especialista.
APOIO
O 22º SBSA tem apoio da Associação
Brasileira de Proteína Animal (ABPA), do Conselho Regional de Medicina
Veterinária de SC (CRMV/SC), da Embrapa, da Prefeitura de Chapecó, do Sindicato
Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações) e da Sociedade
Catarinense de Medicina Veterinária (Somevesc).