As vantagens de sistemas de resfriamento direto e indireto foram explanadas pelo médico veterinário, sócio da Cowcooling, Adriano Seddon, na primeira palestra desta quinta-feira (11) da programação do 10º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL). O evento é promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet) e paralelamente ocorre a 5ª Brasil Sul Milk Fair virtual.
Seddon iniciou
sua explanação orientando que, antes de decidir sobre um sistema de
resfriamento, é preciso avaliar a localização e o clima da região e quanto se
perde financeiramente pelo estresse térmico dos animais. Também é fundamental
pensar num sistema que atenda todas as vacas, avaliar a capacidade de
investimento e se já existe instalações ou se será necessário fazer um projeto
totalmente novo.
Segundo o
especialista, é importante implantar um sistema de acordo com algumas
prioridades. Primeiro deve-se atender as vacas em pré-parto e as vacas que
estão no período seco. “Esse é o primeiro lote a receber investimento. É um
número pequeno de animais, durante um curto período de tempo, o investimento é
baixo e traz um retorno excelente”, expôs. Após, as vacas em pós-parto devem
ser atendidas, pois estão em uma fase de transição que exige cuidados para
melhorar a saúde e a produção. Por último, as vacas em lactação. “Seguindo essa
ordem de prioridade é possível ter maior retorno”, sublinhou Seddon.
O palestrante
explanou sobre dois sistemas de resfriamento: o direto e o indireto. No sistema
direto, o vento precisa incidir sobre os animais atingindo a maior parte da
superfície corporal. “É preciso molhar toda a vaca e depois evaporar essa
água”, especificou Seddon. Na maior parte das vezes, se começa pela sala de
espera e depois segue para a linha de cocho. “É preciso muito vento e muita
água, mas a maioria das propriedades não atende o mínimo necessário”, alertou.
Além disso, o processo
precisa ser homogêneo: o resfriamento deve ser feito várias vezes ao dia, com a
mesma quantidade de água e vento. “Se existe vento natural, ele pode vir de
qualquer direção e é necessário bloqueá-lo para que o vento mecânico incida
sobre os animais. Usam-se cortinas laterais para direcionar o vento, além de
aspersores”.
Os pontos positivos do
resfriamento direto são que ele funciona em qualquer clima, pode ser usado em
todos os sistemas de produção e é adaptável para instalações já existentes. Os
aspectos negativos são: é mais trabalhoso, pois precisa levar as vacas para
serem resfriadas; a tomada de decisão é menos automatizada, sendo necessário
treinar a equipe; e há maior consumo de água. “Porém, é importante observar
que, apesar de ter um gasto maior com água no resfriamento, quando é feito de
maneira correta, os animais passam a ingerir menos água”, frisou Seddon.
O resfriamento indireto pode
ser feito com ventilação cruzada (cross ventilation) ou com túnel de vento.
Esse sistema é utilizado em instalações fechadas. Na ventilação cruzada o
ambiente é climatizado a partir de placas evaporativas, que diminuem a
temperatura, e exaustores. Normalmente, se utilizam as placas em uma lateral do
barracão e os exaustores na outra.
É um sistema
autônomo, tem eficiência elétrica quando construído de forma adequada e não há
aumento do volume de dejetos, aspectos que Seddon considerou positivos. Os
pontos negativos são: é específico para certas regiões; é preciso ter
redundância elétrica, com geradores, pois se faltar energia haverá acúmulo de
gases tóxicos que podem causar a morte dos animais; e há maior dependência de
manutenção por ser totalmente automatizado. De acordo com o especialista, o
sistema indireto funciona melhor em climas com alta temperatura e baixa umidade
do ar, como no Brasil central, nos climas de cerrado e caatinga.
Seddon explicou,
ainda, que na ventilação cruzada o ar se move de maneira transversal aos
corredores de alimentação. Já no túnel de vento o ar segue pelo caminho mais
fácil, tendo lugares dentro do barracão com boa ventilação e outros sem. “É
preciso pensar muito nesses sistemas, em como será a passagem e a velocidade do
ar e a temperatura, pois é isso que manterá o conforto dos animais”, salientou
o palestrante.
Para Seddon,
tanto o resfriamento direto quanto o indireto irão ser efetivos se usados da
maneira correta. “O investimento em resfriamento é o resultado financeiro com o
melhor retorno para as propriedades”, concluiu.
Apoio
O 10º Simpósio Brasil Sul de
Bovinocultura de Leite tem apoio da Associação Paranaense de Criadores de
Bovinos da Raça Holandesa, do Conselho Regional de Medicina Veterinária de SC
(CRMV/SC), da Embrapa Gado de Leite, do Icasa, da Prefeitura de Chapecó, do
Sindicato dos Produtores Rurais de Chapecó, do Sistema FAESC/SENAR-SC, do
Sindirações, da Sociedade Catarinense de Medicina Veterinária (Somevesc) e da
Unochapecó.