Soluções de manejo adequadas são determinantes para garantir desempenho e lucratividade na avicultura. Entre as palestras desta quinta-feira (8), o 21º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) trouxe ao debate o manejo final em frangos de corte, sob a ótica do médico veterinário Roberto Yamawaki, que mostrou caminhos para extrair ao máximo o que a tecnologia da climatização pode oferecer.
Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
mostram que a carne de frango é a segunda proteína de origem animal mais
consumida no mundo, com produção anual estimada em mais de 98 milhões de
toneladas. Num cenário de crescente preocupação mundial para encontrar um
equilíbrio entre a integridade ambiental, a saúde pública e o aumento da
produção de alimentos, a criação de frangos de corte se destaca por envolver um
processo altamente desenvolvido e eficiente de conversão alimentar dos animais,
fatores que a tornam uma das atividades agropecuárias mais sustentáveis dos
pontos de vista econômico e ambiental.
A ave que consumimos hoje, o frango moderno, é resultado de profundos
métodos de melhoramento genético que, combinados com a evolução tecnológica e a
climatização dos galpões, tem só ganhado em sanidade e em nutrição. A
consequência desse aperfeiçoamento é a grande eficiência da produção avícola,
uma das grandes vantagens competitivas do setor.
Levantamento
da National Chicken Council, associação americana que compila dados do setor
avícola, mostra que, em comparação com a ave produzida 100 anos atrás, o
frango moderno teve uma evolução de mais de 150% no indicador do peso vivo de
abate. Outro indicador que aponta um avanço significativo é a idade de abate,
que de 1925 a 2019 reduziu em 65 dias.
CLIMATIZAÇÃO
Yamawaki
ponderou que os investimentos tecnológicos na climatização dos galpões são
imprescindíveis para proporcionar às aves o ambiente ideal para o seu
desenvolvimento. No entanto, para além das instalações técnicas, ele atentou
para o fato de a própria ave ser a principal agente responsável pela produção
de calor na granja. Análises apontam que 92% do calor produzido no aviário é
oriundo do próprio frango e somente 8% das instalações. “A ave moderna, no
processo de evolução genética, passou a gerar mais calor que o frango de
antigamente e isso acontece porque ele consome muita energia, até 28% a mais
que a ave de 50 anos atrás. Em contrapartida, esse frango moderno é muito
produtivo e sua idade para atingir o peso de abate reduziu
sensivelmente”.
O grande desafio é somar estratégias na temperatura, na umidade, na
iluminação, na velocidade e na movimentação do ar para assegurar conforto
térmico nas instalações avícolas, pois quando uma ave não consegue se livrar de
todo o calor que ela produz, entra rapidamente em fase de desidratação e corre
o risco até de morrer.
“Um
ponto-chave para reduzir o calor é a velocidade que quanto maior, amplia-se a
sensação de resfriamento na ave, especialmente nas mais leves. Esse recurso
também se apresenta muito eficiente em frangos pesados durante períodos de
clima mais crítico. A velocidade do ar também é importante para retirar o calor
que fica preso no meio das aves”, ressaltou.
O médico veterinário ainda chamou a atenção para questões importantes de
estrutura, que vêm desde a construção do galpão, e fazem toda a diferença no
controle da temperatura interna do aviário. Testes revelaram
que aviários de parede atingem um desempenho superior em relação aos aviários
de cortina no quesito climatização. Mesmo assim, independentemente do tipo de
galpão, é fundamental que ele seja o mais vedado possível para assegurar
uniformidade da velocidade do ar em toda a estrutura, principalmente em pontos
mais críticos, como portões, a junção de telas e cortinas”, ponderou Yamawaki.
Em relação às divisórias, as de madeiras devem ser evitadas, pois bloqueiam o
fluxo de ar entre as aves e aumentam a temperatura do animal que fica próximo a
elas. Divisórias de plástico e metal, preferencialmente vazadas, são opções
mais indicadas.
Cuidados simples
também não devem ser deixados de lado. Os
equipamentos, incluindo os exaustores e ventiladores, devem ser mantidos em
perfeitas condições de funcionamento e uso, com limpeza periódica.
Em relação às tecnologias de climatização disponíveis, Yamawaki afirmou
que nebulizadores e placas evaporativas são opções que podem ser combinadas com
sistemas adequados de ventilação e usados, também, em aviários com pressão
negativa. “Placas evaporativas atuam com o mesmo princípio dos nebulizadores,
utilizando o calor do ar para evaporar água, diminuindo a temperatura do ar que
entra no aviário. A grande diferença é que as placas evitam o problema de
umedecimento excessivo da cama, que pode ser provocado pelo uso contínuo dos
nebulizadores”.
Sobre o
manejo final do frango, o palestrante ressaltou que é uma das fases mais
importantes da criação. E, por ser essa a fase em que as aves mais produzem
calor, o valor de um sistema adequado de ventilação não deve ser subestimado.
“Devemos lembrar que o principal produtor de calor é a própria ave e, além de
produzir muito mais calor do que os seres humanos, o frango moderno também é
mais sensível à umidade. A velocidade do ar é uma peça chave para baixar a
temperatura, mas também devemos estar atentos para a manutenção dos equipamentos
e instalações, bem como a uniformidade da velocidade do ar e da densidade das
aves, que também são fatores imprescindíveis para extrair o máximo resultado do
lote”, concluiu.
SIMPÓSIO E
POULTRY FAIR
Em paralelo
ao 21º
Simpósio Brasil Sul Avicultura,
ocorre a 12ª Brasil Sul Poultry Fair. Na feira virtual, mais de
70 empresas nacionais e multinacionais estão apresentando seus produtos e
inovações, possibilitando um ambiente de troca de ideias e de aprimoramento
técnico dos congressistas.
O 21º
Simpósio Brasil Sul Avicultura, que encerra nesta quinta-feira (8), tem
apoio do Conselho Regional de Medicina Veterinária de SC (CRMV/SC), da
Sociedade Catarinense de Medicina Veterinária (Somevesc), da Prefeitura de
Chapecó, da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), da Embrapa Suínos
e Aves e da Unochapecó.