O bem-estar é fundamental no quesito produtividade. Para contribuir com esse assunto, o médico veterinário e professor Fernando Rutz debateu nesta quinta-feira (08), durante o 21º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), a interação entre dieta e estresse térmico e seus impactos fisiológicos e produtivos nas granjas de frango de corte. O tema encerrou a programação científica do evento.
Rutz explicou que o estresse
térmico é o conjunto das alterações que ocorrem no organismo da ave na
tentativa de reagir às condições ambientais como altas temperaturas, alta
umidade do ar e excesso de radiação solar. “Fatores inerentes às próprias aves
e exacerbados pela seleção genética tornaram estes animais ainda mais
susceptíveis ao estresse por calor”, complementou.
O melhoramento genético no
frango de corte propiciou uma alta capacidade de produção de carne, mas também
ocasionou produção do alto calor endógeno. “A quantidade de calor gerada por um
frango de corte é alta se considerarmos a capacidade que esse animal tem em
dissipar o calor. O detalhe é que nos primeiros dias têm baixa eficiência de
geração de calor. Temos então uma situação conflitante, ou seja, os frangos
podem passar por estresse térmico em seus dois modos: o frio nas primeiras
semanas de vida e calor nas últimas. Assim, entender as ferramentas para
amenizar as condições nessas situações é essencial”, salientou o professor.
Sem o manejo adequado, as
altas temperaturas podem comprometer a produtividade. Para evitar o estresse
térmico das aves, os cuidados com a climatização dos aviários e com a nutrição
dos frangos devem andar juntos. Isso contribuirá para prevenir doenças
associadas com o estresse térmico. “Os ajustes de diversos fatores pode reduzir
os impactos ou a incidência de síndromes ou de qualquer efeito que reduza a
eficiência dos lotes”, acrescentou o palestrante.
O palestrante salientou que
a nutrição pode contribuir para amenizar os impactos do estresse térmico, mas
não eliminar completamente. Para isso, as condições ideais de bem-estar e ambiência
são as melhores opções. “Nesse aspecto, a receita básica é reduzir o calor
endógeno produzido, utilizando-se de técnicas e meios de rações mais
eficientes, com maior disponibilidade, digestibilidade, suporte às enzimas
digestivas, redução dos fatores antinutricionais e maior incremento da
imunidade, menor estresse oxidativo, entre outros”, sublinhou.
Outro fator fundamental é a
saúde intestinal. “A dependência de
absorção de nutrientes é vital para a vida e influencia diretamente o frango de
corte”, ponderou Rutz. A microbiota intestinal o microbioma também devem ser
considerados. “Entre suas funções, estão as modificações do sistema nervoso, a
quebra dos compostos não digeríveis, a resistência a patógenos, a proteção
contra danos ao epitélio, a modulação e densidade dos ossos, a reserva de
nutrientes como a gordura, a circulação sanguínea, a estimulação do sistema
imune, a biossínteses de vitaminas e aminoácidos e o metabolismo geral”,
explicou.
Para agir da melhor maneira
na prevenção e controle do estresse térmico, é necessário ter controle amplo
sobre a produção. “As possibilidades de automação da produção, dos dados
gerados em diversos aspectos, possibilitam ao produtor a melhor tomada de
decisão sobre o que fazer, quando fazer e quais métodos a serem utilizados”,
considerou o palestrante. “ Em resumo, a
nutrição pode influenciar muito a capacidade da ave em enfrentar condições
adversas de estresse térmico, desde que sejam sempre considerados os aspectos
inerentes à ave, à produção em si e ao mercado”, concluiu Rutz.
SOBRE O EVENTO
A programação científica do
21º SBSA foi subdividida em cinco módulos: futuro, mercado, abatedouro,
sanidade e manejo. As palestras focalizaram assuntos de interesse do público de
campo, produtores, técnicos, veterinários, gestores das agroindústrias,
integrações e cooperativas, trazendo novidades e tendências do complexo mercado
da avicultura.
Paralelamente ocorreu a 12ª
Brasil Sul Poultry Fair e demais eventos paralelos. A feira virtual reuniu mais
de 70 empresas nacionais e multinacionais. Foi um espaço onde as empresas
geradoras de tecnologias apresentaram suas novidades e seus produtos que
permitiram networking, bem como o aprimoramento técnico dos congressistas.
O 21º Simpósio Brasil Sul
Avicultura teve apoio do Conselho Regional de Medicina Veterinária de SC
(CRMV/SC), da Sociedade Catarinense de Medicina Veterinária (Somevesc), da
Prefeitura de Chapecó, da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), da
Embrapa Suínos e Aves e da Unochapecó.
Mais informações no site: www.nucleovet.com.br/simposio/avicultura.