A laringotraqueíte infecciosa (ILT) é uma doença infecciosa do trato respiratório que afeta principalmente galinhas. Este tema de grande relevância encerrou a programação de quarta-feira (7) do 21° Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet) e que segue até esta quinta-feira (8). O médico veterinário zootecnista, doutor em microbiologia médica e pós-doutor em virologia molecular Guillermo Zavala palestrou sobre “Laringotraqueíte infecciosa: prevenção e controle”, no Bloco Sanidade do SBSA. Embora a doença não seja preocupante no Brasil, conhecer as medidas de prevenção e controle é importante para manter a saúde dos plantéis brasileiros.
Quando as aves de corte são infectadas, o maior impacto econômico
está relacionado ao crescimento dos frangos que, com a febre, param de beber e
comer, causando redução no ganho de peso, perda de uniformidade e, nas
poedeiras comerciais ocorre redução na produção de ovos. Em ambos os casos, há
aumento da mortalidade. “Além disso, aves infectadas podem excretar o vírus em
altas concentrações, antes mesmo dos primeiros sinais clínicos da
doença, facilitando a contaminação de pessoal, equipamentos e veículos e
posterior transmissão para outros galpões ou granjas”, acrescentou o
palestrante.
Zavala explicou que a laringotraqueíte é causada por um herpesvírus tipo 1
(GaHV-1). “O agente etiológico é um vírus envelopado de DNA de fita dupla. Os
herpesvírus geralmente induzem infecções permanentes e as aves infectadas nunca
eliminam completamente o vírus, portanto, uma vez infectadas, sempre serão uma
fonte potencial de infecção para outras aves”, sublinhou.
O vírus infecta as aves através do trato respiratório superior, inicialmente se
replicando na mucosa ocular, cornetos nasais e nasofaringe, e posteriormente,
infectando e se replicando na laringe e traqueia. “O período de incubação do
vírus é de três a cinco dias e os surtos costumam ocorrer quando os frangos
estão com a idade média de 40 dias, justamente no período de envio para os
abatedouros. O pico de replicação viral, sinais clínicos e mortalidade ocorre
cerca de cinco a sete dias após a infecção.
Muitas das aves infectadas sobrevivem, mas permanecem infectadas
pelo resto da vida. Por essa razão, é praticamente impossível erradicar
completamente a doença de instalações onde há várias idades, como nas granjas
de poedeiras comerciais, pois esse tipo de instalação avícola nunca está vazia.
“No caso de matrizes e frangos de corte, é possível erradicar a doença pelo
menos temporariamente, uma vez que se trata de um aviário de uma única idade,
de modo que há um ponto final em que o vírus é eliminado junto com as aves no
final de seu ciclo produtivo”, explicou Zavala.
PREVENÇÃO E CONTROLE
De acordo com Zavala, os métodos de prevenção e controle mais
relevantes incluem biossegurança e vacinação. “Os sistemas de biossegurança que
são usados rotineiramente para prevenir a maioria das doenças infecciosas são
eficazes na prevenção de laringotraqueíte em operações avícolas que não usam
vacinas de vírus vivos e são eficazes também para operações que usam vacinas
recombinantes. Operações que usam vacinas de vírus vivo (vírus vacinal
propagado em embriões de galinha - CEO) ou em culturas de células (TCO) devem
usar as mesmas medidas de biossegurança, mas também devem estar cientes da
possibilidade de transferência do vírus vacinal para populações de aves não
vacinadas”.
No Brasil, as vacinas CEO não são autorizadas e apenas vacinas TCO
e vacinas recombinantes com HVT e vetores de varíola são permitidas. “Qualquer
uma dessas ferramentas pode beneficiar empresas que desejam implementar vacinas
como complemento à biossegurança. Não existe vacina perfeita, nem esquema de
vacinação perfeito. Qualquer um dos produtos biológicos disponíveis no mercado
tem potencial para cumprir satisfatoriamente os seus objetivos, mas é
necessário complementar a sua função de prevenção com programas rígidos de
biossegurança”, salientou Zavala.
Entre os aspectos de prevenção e biossegurança importantes para a
prevenção e controle de laringotraqueíte, Zavala ressaltou a importância do
rápido diagnóstico e implementação de medidas emergenciais de biossegurança. O
controle efetivo de qualquer doença infecciosa requer laboratórios confiáveis
capazes de analisar amostras suspeitas de laringotraqueíte no prazo máximo de
24 horas. Enfatizou a importância da limpeza e desinfecção das roupas
utilizadas pelas equipes, bem como todos os equipamentos e veículos da
propriedade. A cama contaminada deve receber tratamento térmico antes do
transporte em caminhões totalmente cobertos. Entre as medidas, o palestrante
citou ainda que se deve evitar transportar lixo ou aves infectadas ao
longo de estradas ou rodovias onde há várias instalações avícolas, implementar
um vazio sanitário de pelo menos 21 dias nas propriedades afetadas, lotes
infectados devem ser enviados para a planta de processamento, se possível, no último
dia da semana útil, e devem ser processados no último turno de trabalho do dia.
Outro aspecto fundamental é organizar programas de conscientização e educação
sobre questões de biossegurança para a prevenção de laringotraqueíte. O surto
poderá ser declarado erradicado quando tiver passado pelo equivalente a dois
ciclos completos de produção de frangos de corte, incluindo os tempos de vazio
sanitário.
SOBRE O EVENTO
A programação científica do 21º SBSA está subdividida em cinco
módulos: futuro, mercado, abatedouro, sanidade e manejo. As palestras estão
focadas em assuntos de interesse do público de campo, produtores, técnicos,
veterinários, gestores das agroindústrias, integrações e cooperativas. São
temas que fazem parte dos principais pilares da cadeia de produção de aves.
Paralelamente ocorre a 12ª Brasil Sul Poultry Fair e demais
eventos paralelos. A feira virtual reúne mais de 70 empresas nacionais e
multinacionais. É um espaço onde as empresas geradoras de tecnologias
apresentam suas novidades e seus produtos que permite networking, bem
como o aprimoramento técnico dos congressistas.
O 21º Simpósio Brasil Sul Avicultura tem apoio do Conselho
Regional de Medicina Veterinária de SC (CRMV/SC), da Sociedade Catarinense de
Medicina Veterinária (Somevesc), da Prefeitura de Chapecó, da Associação
Brasileira de Proteína Animal (ABPA), da Embrapa Suínos e Aves e da Unochapecó.
Mais informações no site: www.nucleovet.com.br/simposio/avicultura.
Programação Científica do 21º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
8 DE ABRIL
DE 2021
BLOCO
MANEJO
13h30 às
14h10: “Manejo inicial em frangos de corte: os desafios no manejo
inicial do frango de corte moderno frente as novas tecnologias de criação”.
Palestrante: Rodrigo
Tedesco.
14h15 às
14h55: “Manejo final em frangos de corte: como extrair ao máximo o
que a tecnologia da climatização oferece frente ao desempenho do frango
moderno.”
Palestrante: Roberto
Yamawaki.
15h às
15h40: “Recuperando os conceitos básicos de manejo para criação do
frango de corte: atualizações/novidades em ambiência e manejo para o melhor
desempenho do frango de corte atual”.
Palestrante: José
Luiz Januário.
15h40 às
16h10: Debate.
16h10 às
16h20: Intervalo.
BLOCO
NUTRIÇÃO
16h20 às
17h: “Importância da estrutura da dieta para desenvolvimento do
trato digestivo. Problemas relacionados ao mau desenvolvimento.”
Palestrante: Alex
Maiorka
17h05 às
17h45: “Interação dieta e estresse térmico: impactos fisiológicos e
produtivos na produção de frangos de corte.”
Palestrante: Fernando
Rutz.
17h45 às
18h15: Debate.