Para garantir um produto de alta qualidade, toda a cadeia de proteína animal deve manter um controle sanitário rigoroso em todas as etapas, desde a produção até o abate e industrialização. O monitoramento desse processo no setor avícola foi tema da primeira palestra desta quarta-feira (7), no 21° Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet). O evento, que começou na terça-feira (6), segue até a quinta-feira (8), inteiramente on-line.
A médica veterinária,
doutora em Ciência Animal e Pastagens e pós-doutora em Ciência
Animal-Zootecnia, Liris
Kindlein, explanou sobre “Atualizações no sistema de inspeção
brasileira: oportunidades e desafios”.
O Sistema Brasileiro de
Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA), que faz parte do Sistema
Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), padroniza e harmoniza os
procedimentos de inspeção de produtos de origem animal para garantir a inocuidade
e segurança de alimentos.
Liris frisou que o Brasil
exporta produtos de origem animal para 180 países e as legislações e suas
atualizações são fundamentais para salvaguardar a saúde do consumidor,
assegurando a qualidade higiênica, sanitária e tecnológica dos alimentos
industrialmente processados. “As modernizações são necessárias, pois surgem
cada vez mais demandas regulatórias internas e externas”, comentou, ao
acrescentar que as novas legislações deixam evidentes também a amplitude da
inovação tecnológica em toda a cadeia produtiva.
O Decreto nº 10.468, de
agosto de 2020, atualizou o Decreto nº 9.013 – Regulamento da Inspeção
Industrial e Sanitária dos Produtos de Origem Animal (Riispoa) – que
regulamenta a Lei nº 1.283 de 1950 e a Lei nº 7.889 de 1989, que dispõem sobre
a inspeção industrial e sanitária de produtos de origem animal. A
regulamentação determina questões relacionadas ao pré-abate (captura,
transporte, espera e pendura) e abate (insensibilização, sangria, escaldagem,
depenagem, evisceração, pré-resfriamento, resfriamento, gotejamento,
classificação, embalagem e armazenamento). A atualização trata de inovações
tecnológicas, autocontrole e análise de risco.
Outra legislação citada por
Liris é a Portaria 210 de 1998 – Regulamento Técnico da Inspeção Tecnológica e
Higiênico-Sanitária de Carne de Aves – que determina questões relacionadas à
padronização dos métodos de elaboração dos relatórios de instalações,
equipamentos, higiene do ambiente, processamento para o abate e a
industrialização de carne de aves, além da inspeção ante e post mortem.
Liris enfatizou que as
normas precisam garantir que as aves tenham saúde para que possam ser
convertidas em alimentos seguros para a população. Novas propostas estão sendo
estudadas para assegurar a eficiência e a qualidade em todo o processo
produtivo. Entre elas, a avaliação de nova tecnologia a ser empregada no
processo de abate, com análise da qualidade higiênico-sanitária de carcaças
submetidas à lavagem após o processo de evisceração.
Outra proposta em avaliação
é compartilhar responsabilidades com a indústria, em um processo em que setores
público e privado atuam conjuntamente. Liris citou, ainda, a proposta de
projeto piloto para nova normativa para modernização da inspeção sanitária em
abatedouros com inspeção baseada em risco.
Os resultados dos estudos
apresentados por Liris trazem diversos benefícios. “Podem vir a proporcionar
ganhos à saúde pública, dar segurança ao serviço de inspeção, compartilhar
responsabilidades com a indústria, maior produção de alimento e competitividade
mundial do setor avícola”.
SOBRE O
EVENTO
A programação científica do
21º SBSA está subdividida em cinco módulos: futuro, mercado, abatedouro, sanidade
e manejo. As palestras estão focadas em assuntos de interesse do público de
campo, produtores, técnicos, veterinários, gestores das agroindústrias,
integrações e cooperativas. São temas que fazem parte dos principais pilares da
cadeia de produção de aves.
Paralelamente ocorre a 12ª Brasil Sul Poultry Fair e
demais eventos paralelos. A feira virtual reúne mais de 70 empresas nacionais e
multinacionais. É um espaço onde as empresas geradoras de tecnologias
apresentarão suas novidades e seus produtos, permitirão a construção de
networking e o aprimoramento técnico dos congressistas.
O 21º Simpósio Brasil Sul Avicultura tem apoio do Conselho
Regional de Medicina Veterinária de SC (CRMV/SC), da Sociedade Catarinense de
Medicina Veterinária (Somevesc), da Prefeitura de Chapecó, da Associação
Brasileira de Proteína Animal (ABPA), da Embrapa Suínos e Aves e da Unochapecó.
Mais informações no site: www.nucleovet.com.br/simposio/avicultura.