A condenação de aves que chegam até os abatedouros é um tema recorrente na avicultura industrial e esteve em debate no segundo dia do 21° Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet). O tema “Efeito do manejo pré-abate sobre os níveis de condenação na indústria brasileira” foi abordado pelo doutor em Zootecnia e pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Everton Krabbe. O evento, que começou na terça-feira (6), segue até a quinta-feira (8), inteiramente on-line.
Krabbe frisou que o período
de pré-abate é de menos de 12 horas. “Representa 1% do tempo da criação do
frango. É pouco tempo para reduzir perdas”. O processo de manejo pré-abate está
inserido em vários aspectos da cadeia de produção de aves. Cada País possui uma
legislação e, de acordo com Krabbe, os critérios precisam ser rígidos e éticos
para que o alimento comercializado seja seguro e de qualidade. “Mesmo que seja
pouco tempo, as perdas são significativas”, acrescentou.
A média de condenação de carcaças
no Brasil era de 6%, de acordo com estudos realizados até 2011. As principais
causas eram contaminação e lesões traumáticas. Estudos mais recentes mostram
redução de problemas relacionados ao período pré-abate, mas as causas se mantêm
as mesmas.
Aspectos como número de aves
nas caixas de transporte, apanha, tempo de jejum pré-abate, logística de
transporte, turno do carregamento das aves, hidratação das aves durante o
jejum, temperatura e umidade nas estruturas de espera influenciam na qualidade
das carcaças. “Atualmente, o índice de condenação no Brasil é de 2,62%, maior
que na América e Latina e em outros países, mas a tendência é de redução”,
realçou o palestrante.
Krabbe ressaltou que o
manejo pré-abate é um momento relativamente curto, porém de extrema relevância
no resultado econômico dos lotes, assim como o atendimento à legislação é
fundamental. “Um adequado planejamento das etapas do período pré-abate é muito
importante”, reforçou.
De acordo com o palestrante,
a desuniformidade dos lotes segue sendo um grande desafio, especialmente em
função da crescente automação dos processos. Krabbe comentou, ainda, que os
índices de condenações são muito distintos entre as empresas. Também relatou
que o Brasil, em comparação com outros países, apresenta níveis mais elevados
de condenações. Para melhorar os indicadores, ter profissionais capacitados é
fundamental. “Além disso, o desenvolvimento de novas tecnologias poderá aportar
ganhos tanto no bem-estar das aves, na ergonomia dos trabalhadores e nos ganhos
econômicos”, concluiu o palestrante.
Após as palestras, os especialistas
participaram de debate com interação dos participantes do Simpósio via chat.
SOBRE O
EVENTO
A programação científica do 21º
SBSA está subdividida em cinco módulos: futuro, mercado, abatedouro, sanidade e
manejo. As palestras estão focadas em assuntos de interesse do público de
campo, produtores, técnicos, veterinários, gestores das agroindústrias,
integrações e cooperativas. São temas que fazem parte dos principais pilares da
cadeia de produção de aves.
Paralelamente ocorre a 12ª Brasil Sul Poultry Fair e
demais eventos paralelos. A feira virtual reúne mais de 70 empresas nacionais e
multinacionais. É um espaço onde as empresas geradoras de tecnologias
apresentarão suas novidades e seus produtos, permitirão a construção de
networking e o aprimoramento técnico dos congressistas.
O 21º Simpósio Brasil Sul Avicultura tem apoio do Conselho
Regional de Medicina Veterinária de SC (CRMV/SC), da Sociedade Catarinense de
Medicina Veterinária (Somevesc), da Prefeitura de Chapecó, da Associação
Brasileira de Proteína Animal (ABPA), da Embrapa Suínos e Aves e da Unochapecó.
Mais informações no site: www.nucleovet.com.br/simposio/avicultura.