O médico veterinário Mateus Matiuzzi da Costa abriu o Bloco Sanidade do 21° Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), nesta quarta-feira (7), com o tema “Multirresistência bacteriana ligada a E. coli e os impactos na cadeia de produção de aves”. O evento, promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), segue até esta quinta-feira (8), debatendo importantes pautas da cadeia avícola.
A resistência bacteriana é uma
preocupação que tem sido debatida mundialmente por especialistas e entidades
internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização
Mundial de Saúde Animal (OIE). Especialistas da cadeia produtiva têm estudado e
analisado estratégias em busca do controle e equilíbrio das bactérias em
sistemas vivos.
O uso indiscriminado de
antibióticos traz projeções preocupantes. Para 2050, a OMS prevê que a
resistência bacteriana poderá ser a principal causa de óbitos no mundo. Por
isso, a preocupação com a segurança alimentar só tem aumentado.
Com atuação na medicina
veterinária preventiva, Matiuzzi afirmou que é preciso buscar alternativas para controlar
esses medicamentos e encontrar meios de garantir que seu uso seja feito de
forma consciente e correta. “Não usar
antimicrobianos em animais enfermos, na cadeia produtiva, pode ser considerado
maus tratos. O uso terapêutico é importante, é justificável, o problema é
quando os antimicrobianos são usados para compensar falhas de manejo. Os
antibióticos não devem ser usados de forma equivocada. O sobreuso é que deve
ser evitado”.
Matiuzzi abordou a resistência
antimicrobiana em animais, em humanos e trouxe exemplos de mutações de bactérias
como a E. coli, que desenvolveram índices de resistência, inclusive com cepas
de origem aviária.
Entre possíveis estratégias
para o controle da multirresistência, o médico veterinário cita a
conscientização. “É a medida mais barata, agir na conscientização e na educação
para o uso bem planejado dos antimicrobianos. É fundamental continuarmos
estudando esse tema”. Para complementar, citou a importância da ciência
multidisciplinar atuar na busca de soluções para o controle de infecções e da
multirresistência.
Como alternativas, citou ainda
estratégias como o uso de prebióticos e probióticos combinados com outros
compostos. “Temos
que aprofundar os estudos, mas o que se comprova em muitas pesquisas é que
estratégias baseadas em probióticos, peptídeos, que são alternativas mais
naturais, combinadas com drogas, podem ser eficazes se for feita essa
associação, para criar um dano na bactéria. Mas são associações que têm que ser
pensadas e bem construídas".
O EVENTO
Em paralelo ao 21º Simpósio Brasil Sul Avicultura, ocorre a 12ª Brasil
Sul Poultry Fair, feira virtual que reunirá mais de 70 empresas nacionais e
multinacionais. O espaço reúne empresas geradoras de tecnologias que estão
apresentando suas novidades e seus produtos, permitindo a construção de networking
e o aprimoramento técnico dos congressistas.
O 21º Simpósio Brasil Sul Avicultura tem apoio
do Conselho Regional de Medicina Veterinária de SC (CRMV/SC), da Sociedade
Catarinense de Medicina Veterinária (Somevesc), da Prefeitura de Chapecó, da
Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), da Embrapa Suínos e Aves e da
Unochapecó. Mais informações sobre o 21º Simpósio Brasil Sul de Avicultura no
site: www.nucleovet.com.br/simposio/avicultura.