O efeito da gestão pré-abate nos níveis de condenação na indústria europeia foi tema de debate neste segundo dia do 21° Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet). O médico veterinário holandês, Wim Tondeur, especialista em saúde e produção avícola abordou os fatores que mais interferem na condenação de animais e o impacto econômico disso para a cadeia avícola europeia.
Tondeur pontuou que em
muitos países os consumidores estão cada vez mais interessados em saber mais
informações sobre a qualidade da carne que eles comem, o que aumenta o nível de
exigência desse mercado. Também citou alguns princípios básicos de inspeção da
carne na Europa, relacionados ao controle de doenças animais, transporte e
abate, e comparou esses protocolos aos exigidos no Brasil. “Vejo muitas
semelhanças com a legislação brasileira, desde a fase de criação do animal até
o abate”.
Ele citou complicações que
podem levar à perda da carcaça, como lesões patológicas comuns, a exemplo da
dermatite, celulite e fraturas ósseas, além de apontar falhas em processos que
podem levar à condenação das carcaças, como os hematomas provocados na apanha e
no carregamento inadequado das aves nas granjas. Por outro lado, observou o
impacto positivo de programas nutricionais nas lesões de carcaça, como o uso de
aditivos para melhorar esses problemas. O médico veterinário ainda explanou
sobre sistemas de monitoramento usados por veterinários na União Europeia.
O especialista desenvolveu
um guia de padrões visuais que auxiliam a identificar lesões nos animais. Esse
guia está dividido em quatro categorias: pele, vascular, esqueleto e muscular.
“Fazemos uma inspeção externa e interna em busca de lesões e anormalidades e
temos uma pontuação para a carcaça considerando cada tipo de lesão”.
Segundo Tondeur, muitos
abatedouros europeus hoje possuem câmeras de vídeo, o que torna mais fácil
obter dados sobre as carcaças. Ele ressaltou o quão importante é coletar e
analisar esses dados em busca de aprimorar os processos, evitar perdas e
melhorar a qualidade da carne que chega ao consumidor.
“É preciso traduzir isso em
valor econômico para convencer que essas perdas de carcaça são significativas.
Temos também muitas coisas que passam ocultas e talvez o monitoramento por
vídeo seja uma boa ferramenta para auxiliar na inspeção”.
Para concluir, ressaltou a relevância de monitorar as
lesões de carcaças para compreender problemas subclínicos, como miopatias e
questões esqueléticas; destacou a confiabilidade do sistema de monitoramento
por vídeo na análise de carcaças e chamou a atenção para um aspecto subestimado
e que afeta a qualidade da carne, que são as mudanças post mortem.
O EVENTO
Em paralelo ao 21º Simpósio
Brasil Sul Avicultura, ocorre a 12ª Brasil Sul Poultry Fair, feira virtual que
reunirá mais de 70 empresas nacionais e multinacionais. O espaço reúne empresas
geradoras de tecnologias que estão apresentando suas novidades e seus produtos,
permitindo a construção de networking e o aprimoramento técnico dos
congressistas.
O 21º Simpósio Brasil Sul
Avicultura tem apoio do Conselho Regional de Medicina Veterinária de SC
(CRMV/SC), da Sociedade Catarinense de Medicina Veterinária (Somevesc), da
Prefeitura de Chapecó, da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), da
Embrapa Suínos e Aves e da Unochapecó.
Mais informações sobre o 21º
Simpósio Brasil Sul de Avicultura no site: www.nucleovet.com.br/simposio/avicultura.
Foto 03 - Médico veterinário holandês, Wim Tondeur,
abordou os fatores que mais interferem na condenação de animais.