Evento do Nucleovet reúne cerca de 1.500 participantes, pesquisadores e profissionais do Brasil e do exterior em edição que celebra 15 anos do Simpósio e 55 anos da entidade
Com
uma cadeia que deve produzir cerca de 38 bilhões de litros de leite no
Brasil em 2026 e responde por parcela relevante da economia agropecuária
catarinense, o 15º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL)
abriu oficialmente nesta terça-feira (6), em Chapecó, com uma agenda voltada
aos desafios de produtividade, tecnologia e aplicação do conhecimento no campo.
Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas
(Nucleovet), o encontro reunirá mais de 1.500 participantes até quinta-feira
(8), em uma edição que também marca os 15 anos do Simpósio e os 55 anos da
entidade.
A
programação engloba ainda o 5º Fórum Brasil Sul de Bovinocultura de Corte
e a 10ª Milk Fair, além de 15 palestras, quatro painéis técnicos,
mesas-redondas, exposição de produtos e 92 trabalhos científicos aprovados.
Pesquisadores, produtores, médicos-veterinários, zootecnistas, estudantes e
representantes da indústria participam das discussões no Centro de Cultura e
Eventos Plínio Arlindo de Nes.
Na
solenidade de abertura, a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da
Silveira Balestrin, vinculou as datas comemorativas à capacidade da
entidade de preservar sua história e, ao mesmo tempo, renovar sua agenda. Em
sua avaliação, os 15 anos do SBSBL traduzem a consolidação de um ambiente
voltado à circulação de conhecimento, ao encontro entre profissionais e à
aproximação entre ciência e produção.
“Hoje
celebramos uma história construída por muitas mãos. Quinze anos de SBSBL nos
mostram que uma ideia pode se transformar em tradição. E 55 anos de Nucleovet
nos mostram que uma tradição só permanece viva quando consegue continuar se
reinventando”, declarou.
Aletéia
escolheu a palavra “esperança” para sintetizar o momento vivido pela cadeia
leiteira, sem qualquer passividade. Na leitura da presidente, trata-se da
disposição para continuar construindo alternativas diante das mudanças
econômicas, tecnológicas e produtivas que pressionam a atividade.
Ela
também situou o SBSBL como espaço de interlocução entre produtores,
profissionais, empresas, universidades e instituições. Ao reunir diferentes
experiências e áreas de conhecimento, o evento cria condições para que
problemas recorrentes da atividade sejam analisados sob múltiplas perspectivas
e encontrem respostas com aplicação prática.
A
cerimônia abriu, ainda, uma nova frente na agenda do Nucleovet. Aletéia
anunciou que, em 2027, a entidade receberá no Sul do Brasil o Formuleite
– Edição Sul, em parceria com os professores Marcos Neves Pereira e
Trevor DeVries. Segundo a presidente, a chegada do evento à região renova
uma estratégia construída ao longo das últimas décadas: trazer ciência,
especialistas e novas conexões para perto das cadeias produtivas. “Legado não é
apenas aquilo que recebemos. Legado é aquilo que escolhemos continuar construindo”,
pontuou.
Ciência conectada à realidade
O
presidente da Comissão Científica do SBSBL, Daniel Augusto Barreta,
destacou um dos principais desafios do setor: reduzir a distância entre o
conhecimento produzido na pesquisa e sua adoção nas propriedades, na
assistência técnica e nas decisões empresariais.
Barreta
observou que a longevidade do SBSBL, do Fórum de Corte e da Milk Fair revela a
confiança construída em torno do evento. Também chamou atenção para a produção
científica desta edição, que recebeu 108 resumos e aprovou 92 trabalhos.
Ao
explicar a estrutura dos quatro painéis técnicos, defendeu uma relação mais
direta entre pesquisa, tecnologia e realidade produtiva. “Conhecimento que não
chega à prática tem seu impacto limitado. E a tecnologia que não considera a
realidade de quem vai utilizá-la também encontra limites”, disse.
A
dimensão do desafio aparece nos próprios números do setor. O Brasil deve
produzir cerca de 38 bilhões de litros de leite em 2026, com
aproximadamente 27 bilhões de litros captados formalmente. Santa
Catarina responde por cerca de 13% desse volume, com mais de 3,5
bilhões de litros captados.
Para o
presidente da Comissão Científica, os indicadores não se resumem à quantidade
produzida. A cadeia envolve propriedades rurais, indústrias, empregos, ciência,
tecnologia, desenvolvimento regional e segurança alimentar, o que exige
capacidade de integração entre os diferentes agentes. “Precisamos continuar
aproximando quem pesquisa de quem ensina, quem desenvolve tecnologia de quem
presta assistência e, principalmente, quem está no campo de quem está tomando
decisões dentro das organizações e da indústria”, acrescentou.
Essa
lógica orienta a programação científica do SBSBL até quinta-feira, com
discussões sobre produtividade, custos, sistemas de produção, sanidade,
reprodução, qualidade do leite, gestão e nutrição de alta performance.
Apoio social
A
abertura oficial incorporou outro componente da atuação do Nucleovet: a
destinação de recursos para organizações sociais de Chapecó. Parte do valor
arrecadado com as inscrições do SBSBL será repassada ao Programa Verde Vida,
que desenvolve ações de formação, inclusão e atendimento a crianças e
adolescentes em situação de vulnerabilidade social.
Representantes
da entidade receberam simbolicamente o cheque de R$10 mil. Subiram ao palco o
presidente do Verde Vida, Luiz Eduardo Gonçalves de Carvalho, e o
coordenador da área social, Odair Balen. A entrega ficou a cargo dos
integrantes da diretoria do Nucleovet Evandro Gandini e Claudia Moita
Zechlinski.
A
programação também apresentou outra destinação social vinculada ao evento. Todo
o lucro obtido com a venda de produtos da NucleoStore, instalada junto
ao estande do Nucleovet, será direcionado às Formigas do Bem,
organização que presta apoio a famílias em situação de vulnerabilidade em
Chapecó.
As
coordenadoras Leiry Diva Gollo Piva e Neurides Ferreira Luz
representaram as Formigas do Bem na solenidade e receberam o cheque simbólico
das mãos das associadas do Nucleovet Celita Matiello e Amanda Souza.
Tejon debate sucesso na abertura
A
palestra “Sucesso tem fórmula?” trouxe ao público na abertura do evento
uma leitura do sucesso menos associada a posição, fama ou patrimônio e mais
vinculada à capacidade de assumir responsabilidades, aprender de forma
permanente e enfrentar as próprias dificuldades. O tema foi conduzido pelo
jornalista, escritor e professor José Luiz Tejon Megido, especialista em
marketing, liderança, vendas e agronegócio, com formação complementar em
instituições como Harvard, MIT, Pace University e INSEAD.
Ao
longo da exposição, Tejon sustentou que o sucesso exige disciplina, disposição
para o trabalho e maturidade. “A fórmula do sucesso é muito trabalho e uma
coisa muito importante: não colocar a culpa no outro. Sucesso é muita vontade
de trabalhar, assumir responsabilidade e, principalmente, admirar as melhores
pessoas”, sublinhou.
Na
visão do palestrante, a evolução nasce também da capacidade de observar quem
alcança altos níveis de desempenho e transformar essa referência em
aprendizado. Por isso, o sucesso não aparece como um ponto de chegada, mas como
uma busca contínua por excelência e sentido.
Tejon
também vinculou essa construção à cooperação. Ao citar Santa Catarina,
mencionou a força do cooperativismo no Estado e relacionou o ambiente
associativo do Nucleovet a essa lógica. “Na cooperação, o ser humano também
aumenta a chance de ter sucesso”, observou.
Ao
recorrer à própria história, concluiu que sua formação pessoal e profissional
decorre, em grande medida, das pessoas que encontrou ao longo da vida. “Eu sou
o resultado de pessoas. Aprender com elas talvez tenha sido o principal caminho
da minha particular fórmula de sucesso”, resumiu.
Após a
palestra, a programação seguiu para o coquetel de abertura da Milk Fair,
espaço de relacionamento entre participantes e empresas do setor. O SBSBL
prossegue nesta quarta e quinta-feira com novos painéis, debates, apresentação
de trabalhos científicos e palestras voltadas aos desafios da bovinocultura de
leite.
PROGRAMAÇÃO
GERAL
QUARTA-FEIRA —
7 DE OUTUBRO
Painel
Sanidade Animal e Reprodução
8h — Estratégias para o controle da leucose
enzoótica bovina
Palestrante: Elias Facury Filho
9h — Tripanossomose bovina: diagnóstico e
impactos sanitários e econômicos na pecuária
Palestrante: Alexandre Henrily de Souza
10h — Milk break
10h30 — Alinhando fisiologia e sanidade para
maximizar a eficiência reprodutiva
Palestrante: Rodolfo Mingoti
11h30 — Mesa-redonda
12h10 — Almoço
Painel Gestão
e Qualidade do Leite
13h40 — Gestão da CCS em sistemas leiteiros:
pontos críticos e estratégias de melhoria
Palestrante: Luis Pinho
14h40 — Performance do equipamento de
ordenha: menos mastite, mais produtividade
Palestrante: Gian Nascimento
15h40 — Mesa-redonda
16h — Milk break
16h45 — Gestão Zootécnica: o que diferencia
sistemas confinados rentáveis
Palestrante: Jorge Henrique Carneiro
17h45 — Perguntas ao palestrante e
encerramento do painel
18h — Avaliação dos pôsteres
18h30 - Evento Paralelo: Confortin - Sala
Agostinho Duarte
Palestra: Além do controle da diarreia: resultados
que fazem a diferença na saúde e no desempenho das bezerras!
19h — Happy Hour na Milk Fair
QUINTA-FEIRA —
8 DE OUTUBRO
Painel
Nutrição de Alta Performance
8h — Como os probióticos auxiliam os
sistemas de produção de leite
Palestrante: Bruno Ieda Cappellozza
9h — O papel das fontes lipídicas na
produção, sólidos do leite e saúde de vacas leiteiras
Palestrante: Jonas de Souza
10h — Milk break
10h30 — Alimentação de vacas leiteiras no
Brasil — novas abordagens e tecnologias para otimização da produção
Palestrante: Francisco Palma Rennó
11h30 — Mesa-redonda
12h — Encerramento e sorteio de brindes