Tema foi abordado
na última palestra, desta terça-feira (6), da programação científica do 15º
Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL), promovido pelo
Nucleovet, em Chapecó
O uso de concentrado na alimentação de vacas
leiteiras mantidas em sistemas de pastejo foi tema da palestra apresentada pelo
pesquisador francês Luc Delaby, nesta terça-feira (6), durante o 15º
Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL), em Chapecó. A
apresentação integrou o painel Sistemas de Produção e discutiu quando e por que
utilizar a suplementação para aumentar a eficiência dos sistemas baseados em
pastagem.
Os resultados apresentados fazem parte do
experimento Tripl`XL, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisa para
Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente (INRAE), na França. Iniciado em 2020,
o estudo acompanha um rebanho de aproximadamente 150 vacas leiteiras das raças
Holandesa, Normanda e Jersey, avaliando, entre outros aspectos, o efeito da
distribuição de concentrado ao longo da lactação.
Segundo Delaby, a discussão sobre suplementação
parte de uma característica própria dos sistemas a pasto: a capacidade de
ingestão dos animais é limitada pelas condições da forragem e pelo manejo. No
pastejo, as vacas apresentam menor velocidade de ingestão e precisam permanecer
mais tempo se alimentando para atender às suas necessidades.
O teor de matéria seca também interfere.
Enquanto o alimento fornecido em sistemas de confinamento apresenta maior
concentração de matéria seca, o pasto fresco contém, em geral, apenas 15% a
20%. Assim, a quantidade de alimento que a vaca consegue ingerir e o tempo
necessário para isso são fatores importantes para definir o potencial produtivo
do sistema.
Outro ponto destacado foi o equilíbrio entre a
quantidade de pasto disponível para cada animal e o aproveitamento da área.
Aumentar a oferta pode elevar o consumo individual, mas também aumenta as
sobras e pode reduzir a eficiência de utilização da pastagem por hectare.
CONDIÇÃO CORPORAL E REPRODUÇÃO
Os resultados do estudo mostraram que o momento
da lactação em que o concentrado é fornecido influencia seus efeitos sobre a
condição corporal das vacas. No início da lactação, a suplementação não foi
suficiente para impedir a mobilização das reservas corporais. Já no meio e,
principalmente, no final da lactação, o fornecimento de concentrado contribuiu
para melhorar o escore de condição corporal (ECC).
Os resultados também indicam que a suplementação
pode ter papel importante não apenas na produção de leite, mas também na
recuperação das reservas corporais em determinados momentos do ciclo produtivo.
“É muito importante entender que quando nós alocamos concentrado no início da
lactação com o sistema de alimentação para vacas confinadas, a vaca produz mais
leite. E o concentrado não é capaz, com a dieta que nós temos agora, de limitar
a redução do escore de condição corporal”, frisou Delaby.
Em relação à reprodução, a estratégia de
distribuição do concentrado não provocou diferenças relevantes no desempenho
reprodutivo das vacas. Os índices de inseminação artificial, taxa de prenhez,
novos partos e os principais intervalos reprodutivos permaneceram semelhantes
entre os grupos que receberam concentrado em diferentes fases da lactação e o
grupo controle, que não recebeu suplementação.
Para Delaby, a suplementação não deve ser
analisada de forma isolada. A decisão precisa considerar a capacidade do pasto
de atender às necessidades dos animais e o objetivo produtivo. Nesse contexto,
o concentrado aparece como uma ferramenta de manejo que pode ser utilizada de
forma estratégica para melhorar a resposta produtiva e a condição corporal, sem
necessariamente produzir efeitos sobre a reprodução.
SOBRE O SBSBL
A programação do 15º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura
de Leite (SBSBL) começou nesta terça-feira (6) com o 5º Fórum Brasil Sul de
Bovinocultura de Corte, no Centro de Cultura e Eventos em Chapecó, e
segue até quinta-feira (8), com palestras sobre sanidade animal, reprodução,
qualidade do leite, gestão zootécnica e nutrição de alta performance, além da
apresentação de 92 trabalhos científicos e atividades na Milk Fair. O evento
celebra 15 anos do SBSBL e 55 do Nucleovet.
PROGRAMAÇÃO GERAL
QUARTA-FEIRA — 7 DE OUTUBRO
Painel Sanidade Animal e Reprodução
8h — Estratégias para o controle da leucose
enzoótica bovina
Palestrante: Elias Facury Filho
9h — Tripanossomose bovina: diagnóstico e impactos
sanitários e econômicos na pecuária
Palestrante: Alexandre Henrily de Souza
10h — Milk break
10h30 — Alinhando fisiologia e sanidade para maximizar
a eficiência reprodutiva
Palestrante: Rodolfo Mingoti
11h30 — Mesa-redonda
12h10 — Almoço
Painel Gestão e Qualidade do Leite
13h40 — Gestão da CCS em sistemas leiteiros: pontos
críticos e estratégias de melhoria
Palestrante: Luis Pinho
14h40 — Performance do equipamento de ordenha: menos
mastite, mais produtividade
Palestrante: Gian Nascimento
15h40 — Mesa-redonda
16h — Milk break
16h45 — Gestão Zootécnica: o que diferencia sistemas
confinados rentáveis
Palestrante: Jorge Henrique Carneiro
17h45 — Perguntas ao palestrante e encerramento do
painel
18h — Avaliação dos pôsteres
18h30 - Evento Paralelo: Confortin - Sala Agostinho
Duarte
Palestra: Além do controle da diarreia: resultados que
fazem a diferença na saúde e no desempenho das bezerras!
19h — Happy Hour na Milk Fair
QUINTA-FEIRA — 8 DE OUTUBRO
Painel Nutrição de Alta Performance
8h — Como os probióticos auxiliam os sistemas de
produção de leite
Palestrante: Bruno Ieda Cappellozza
9h — O papel das fontes lipídicas na produção,
sólidos do leite e saúde de vacas leiteiras
Palestrante: Jonas de Souza
10h — Milk break
10h30 — Alimentação de vacas leiteiras no Brasil —
novas abordagens e tecnologias para otimização da produção
Palestrante: Francisco Palma Rennó
11h30 — Mesa-redonda
12h — Encerramento e sorteio de brindes