Professor e pesquisador da Universidad de la República, no Uruguai, apresenta como pastagens podem integrar sistemas modernos, eficientes e orientados por resultados
O avanço tecnológico na pecuária
leiteira não significa, necessariamente, reduzir a participação das pastagens
na alimentação das vacas. Produção de forragem, manejo do pastejo e
suplementação, quando planejados de forma integrada, podem contribuir para a
produtividade e para a competitividade das propriedades. Essa será a abordagem
do pesquisador Gabriel Menegazzi no 15º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de
Leite (SBSBL), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e
Zootecnistas (Nucleovet), de 6 a 8
de outubro em Chapecó.
A palestra “O papel do pastejo na produção e competitividade de sistemas leiteiros
modernos” será apresentada às 14h40
do dia 6 de outubro, dentro do
Painel Sistemas de Produção, que abre a programação científica do Simpósio.
Professor do Departamento de Produção
Animal e Pastagens da Universidad de la República, no Uruguai, Gabriel Menegazzi integra o Sistema Nacional de
Pesquisadores daquele país. É zootecnista pela Universidade Federal de Santa
Maria (UFSM), mestre em Ciência Animal pela Universidad de la República e
doutor em Ciência Animal pela Universidade de Wageningen, na Holanda. Suas pesquisas concentram-se
em sistemas de produção leiteira baseados em pastagens, manejo do pastejo,
nutrição de vacas leiteiras, eficiência na utilização de nutrientes, emissões
de metano e sustentabilidade.
Menegazzi utilizará a experiência do
Uruguai para mostrar como as pastagens podem permanecer relevantes mesmo em uma
pecuária leiteira tecnificada e voltada ao mercado internacional. O país
exporta cerca de 70% da produção de
leite e mantém a forragem como componente estratégico na alimentação dos
rebanhos.
A discussão, porém, não estará limitada
à quantidade de pasto oferecida aos animais. O pesquisador analisará como o
manejo das pastagens e sua associação com a suplementação interferem no
consumo, no aproveitamento dos alimentos e nos resultados da propriedade.
“Modernizar um sistema não significa
necessariamente reduzir a participação do pasto, mas aprimorar a forma como ele
é produzido, manejado e integrado aos demais recursos da propriedade”, afirma
Menegazzi.
MAIOR
EFICIÊNCIA
Essa perspectiva amplia a forma de medir
a eficiência de uma fazenda leiteira. A produção individual das vacas
continuará relevante, mas deverá ser analisada ao lado de indicadores como
produção por hectare, custos e retorno econômico.
“A lógica é avaliar o sistema como um
conjunto. Uma vaca com elevada produção individual, por exemplo, não representa
isoladamente a eficiência da propriedade. É preciso considerar quanto alimento
foi necessário para alcançar aquele resultado, como a terra foi utilizada e
qual foi o custo da produção”, ressalta o pesquisador.
A palestra também levará ao debate
fatores que ganharam espaço nas decisões sobre os sistemas pecuários: bem-estar
animal, condições de trabalho, emissões de metano e pegada de carbono.
SUSTENTABILIDADE
No caso das emissões, Menegazzi chama a
atenção para diferenças importantes na interpretação dos dados. “A quantidade
de metano emitida por um animal não deve ser analisada da mesma forma que a
emissão correspondente a cada litro de leite produzido ou a pegada de carbono
de todo o sistema. Essas medidas respondem a perguntas diferentes e precisam
ser observadas em conjunto”, salienta.
A sustentabilidade, portanto, não estará
associada automaticamente a um determinado modelo de produção. O pesquisador debaterá
em quais condições o pastejo pode oferecer vantagens econômicas e ambientais,
sem apresentar as pastagens como resposta única para todos os sistemas.
Essa análise também coloca a qualidade
do manejo em primeiro plano. O potencial do pasto depende da capacidade da
propriedade de produzir forragem, controlar a oferta aos animais, adequar a
suplementação e utilizar os recursos disponíveis com eficiência.
Segundo Menegazzi, a experiência
uruguaia servirá como referência para discutir possibilidades aplicáveis à
realidade brasileira. Apesar das diferenças entre os dois países, questões como
custo de produção, aproveitamento da terra, eficiência alimentar e pressão por
menor impacto ambiental fazem parte da agenda de ambos.
“A ideia é discutir em quais condições o
pastejo pode contribuir para conciliar produtividade, competitividade,
responsabilidade ambiental e bem-estar”, sublinha.
SIMPÓSIO
A palestra integra a programação
comemorativa dos 15 anos do SBSBL. O
encontro ocorrerá no mês em que a entidade completa 55 anos. Ao longo dos três
dias, especialistas do Brasil e do exterior discutirão sistemas de produção,
sanidade e reprodução, gestão e qualidade do leite e nutrição de alta
performance.
PROGRAMAÇÃO GERAL
15º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura De Leite
5º Fórum Brasil Sul de Bovinocultura de Corte
TERÇA-FEIRA — 6 DE OUTUBRO
5º Fórum Brasil Sul de Bovinocultura de Corte
8h15
— Abertura da programação científica
8h30
— Construindo uma lavoura de carne: como aliar a produção de grãos e carne em
uma propriedade
Palestrante:
Sebastião Brasil Campos Lustosa
9h20
— O Futuro da Carne Bovina Brasileira: Visão 2040
Palestrante:
Guilherme Malafaia
10h10
— Milk break
10h40
— Como produzir carne a partir de rebanhos leiteiros em sistemas a pasto?
Palestrante:
Luc Delaby
11h30 —
Mesa-redonda
12h
— Encerramento
15º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite
Painel Sistemas de Produção
13h30
— Abertura da programação científica
13h50
— Desafios e potencialidades da produção de silagem de capim para vacas
leiteiras
Palestrante:
Greiciele de Morais
14h40
— O papel do pastejo na produção e competitividade de sistemas leiteiros
modernos
Palestrante:
Gabriel Menegazzi
15h30 — Milk
break
16h10
— Uso de concentrado para vacas leiteiras em pastejo: por que e quando?
Palestrante: Luc
Delaby
17h —
Mesa-redonda
17h30 —
Abertura oficial
18h —
Palestra de abertura: Sucesso tem fórmula?
Palestrante:
José Luiz Tejon
19h40 —
Coquetel de abertura na Milk Fair
QUARTA-FEIRA — 7 DE OUTUBRO
Painel Sanidade Animal e Reprodução
8h —
Estratégias para o controle da leucose enzoótica bovina
Palestrante:
Elias Facury Filho
9h —
Tripanossomose bovina: diagnóstico e impactos sanitários e econômicos na
pecuária
Palestrante:
Alexandre Henrily de Souza
10h
— Milk break
10h30 —
Alinhando fisiologia e sanidade para maximizar a eficiência reprodutiva
Palestrante:
Rodolfo Mingoti
11h30
— Mesa-redonda
12h10
— Almoço
Painel Gestão e Qualidade do Leite
13h40 —
Gestão da CCS em sistemas leiteiros: pontos críticos e estratégias de melhoria
Palestrante:
Luis Pinho
14h40
— Performance do equipamento de ordenha: menos mastite, mais produtividade
Palestrante:
Gian Nascimento
15h40 —
Mesa-redonda
16h
— Milk break
16h45
— Gestão Zootécnica: o que diferencia sistemas confinados rentáveis
Palestrante:
Jorge Henrique Carneiro
17h45 — Perguntas
ao palestrante e encerramento do painel
18h — Avaliação
dos pôsteres
18h30 - Evento
Paralelo: Confortin - Sala Agostinho Duarte
Palestra: Além
do controle da diarreia: resultados que fazem a diferença na saúde e no
desempenho das bezerras!
19h30 — Happy Hour na Milk Fair
QUINTA-FEIRA — 8 DE OUTUBRO
Painel Nutrição de Alta Performance
8h
— Como os probióticos auxiliam os sistemas de produção de leite
Palestrante:
Bruno Ieda Cappellozza
9h
— O papel das fontes lipídicas na produção, sólidos do leite e saúde de vacas
leiteiras
Palestrante:
Jonas de Souza
10h —
Milk break
10h30
— Alimentação de vacas leiteiras no Brasil — novas abordagens e tecnologias
para otimização da produção
Palestrante:
Francisco Palma Rennó
11h30
— Mesa-redonda
12h —
Encerramento e sorteio de brindes