Evento será realizado de 6 a 8 de
outubro, em Chapecó, às vésperas dos 55 anos da entidade. Organização projeta
recorde de público e amplia alcance nacional
A pouco mais de um mês da abertura do 15º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de
Leite (SBSBL), as comissões organizadoras do evento se reuniram em Chapecó
para alinhar os preparativos de uma edição cercada por simbolismo. Promovido
pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o encontro ocorrerá de 6 a 8 de outubro e celebrará os 15 anos do Simpósio. Um dia depois, em 9 de outubro, o Nucleovet
completa 55 anos de história.
A coincidência das datas levou a
entidade a preparar uma programação especial, que une conteúdo científico,
negócios e integração. Para a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, chegar à 15ª edição
representa uma conquista construída a partir do envolvimento voluntário de
profissionais de diferentes áreas.
“Não foi fácil chegar aos 15 anos. A
bovinocultura foi conquistando espaço dentro do Núcleo e hoje temos uma
comissão madura, forte e tão dedicada quanto às equipes de suínos e aves.
Queremos que esta seja uma edição histórica”, afirma.
A organização mobiliza comissões
responsáveis pela programação científica, infraestrutura, comunicação, feira,
alimentação e demais áreas do evento. Parte dessas equipes atua de forma
permanente nos três grandes simpósios promovidos pelo Nucleovet (aves, suínos e
leite). Todo esse trabalho tem caráter voluntário, característica que, segundo
Aletéia, ajuda a explicar a longevidade da entidade.
“As pessoas se admiram quando descobrem
que não é uma empresa que faz tudo isso. Somos nós. Desde pensar a estrutura
até colocar as mesas, preparar os espaços e receber congressistas e
patrocinadores. Estamos ali com a camiseta do Núcleo, trabalhando por aquilo em
que acreditamos”, diz.
Para a presidente, a diversidade entre
as sucessivas gestões também contribuiu para que o Nucleovet chegasse aos 55
anos com muitas conquistas. Cada diretoria, segundo ela, incorporou novas
formas de organização sem perder a participação direta dos associados nos
eventos.
A expectativa para outubro é ampliar os
resultados conquistados pelo SBSBL nos últimos anos. Aletéia afirma que a
edição já registra a entrada de novos patrocinadores e desperta interesse de
profissionais de outras regiões do país. A organização espera alcançar o maior
número de congressistas da história do evento.
“Já ultrapassamos as fronteiras da
região Sul. Estamos chegando a São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso. Queremos
que o simpósio seja conhecido em todo o Brasil, e esse movimento já começou”, sublinha.
CIÊNCIA
E PRODUÇÃO
A programação científica foi dividida
em quatro grandes eixos: sistemas de produção, sanidade animal e reprodução,
gestão e qualidade do leite e nutrição de alta performance. Entre os temas
estão produção de silagem, eficiência em pastejo e no uso de concentrado,
controle de doenças, eficiência reprodutiva, qualidade do leite, equipamentos
de ordenha, gestão de sistemas confinados e estratégias nutricionais. A
abertura também contará com palestra do professor e doutor José Luiz Tejon que traz uma provocação aos congressistas: “Sucesso
tem fórmula?”.
No segundo dia, os debates avançam
sobre leucose enzoótica bovina, tripanossomose, reprodução, controle da
contagem de células somáticas (CCS), mastite e gestão zootécnica. A programação
se encerra com um painel dedicado à nutrição de alta performance, com
discussões sobre probióticos, fontes lipídicas e novas tecnologias para a
alimentação de vacas leiteiras.
Segundo o presidente da Comissão
Científica do SBSBL, Daniel Augusto
Barreta, as 15 palestras foram
escolhidas para aproximar resultados de pesquisa dos desafios encontrados nas
propriedades. “Pensamos a programação para trazer o que existe de novo e atual
na produção científica, mas sempre com aplicação na bovinocultura de leite”, destaca.
A edição terá pesquisadores e
profissionais do Brasil, da Europa, dos Estados Unidos e do Uruguai. Entre os
convidados está o pesquisador francês Luc
Delaby, que participa tanto do Fórum Brasil Sul de Bovinocultura de Corte
quanto do painel de sistemas de produção do SBSBL. As apresentações em inglês
terão tradução simultânea.
“Temos pesquisadores de universidades e
centros de pesquisa de referência, além de profissionais do setor que são
referências em suas áreas. A proposta foi reunir aquilo que temos de melhor
para discutir a produção de leite”, adianta Barreta.
A programação começará na manhã de 6 de
outubro com o 5º Fórum Brasil Sul de Bovinocultura de Corte. O encontro
abordará integração entre grãos e pecuária, perspectivas para a carne bovina
brasileira em 2040 e produção de carne a partir de rebanhos leiteiros em
sistemas a pasto. À tarde, começam os painéis do SBSBL.
PRODUÇÃO
CIENTÍFICA
A participação acadêmica também cresceu
nesta edição. O simpósio recebeu mais de 100
resumos científicos, atualmente em processo de avaliação. Há trabalhos
enviados por pesquisadores e estudantes de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande
do Sul e São Paulo.
Os trabalhos aprovados farão parte dos
anais do SBSBL, que ficarão disponíveis para consulta da comunidade científica.
Os cinco melhores serão convidados para publicação na Revista Agropecuária Catarinense, enquanto os três primeiros
receberão menção honrosa do
Nucleovet.
“É uma oportunidade de compartilhar
conhecimento não apenas nas palestras, mas também por meio da produção dos
acadêmicos. Esses trabalhos ficam registrados e ajudam a formar uma síntese
científica de cada edição”, detalha Barreta.
Para Aletéia, o desafio agora é fazer
com que a comemoração dos 15 anos represente também um novo ciclo para o SBSBL.
“Queremos olhar para esta edição e dizer que ela alcançou novos públicos, novos
patrocinadores e um número recorde de congressistas. Chegar até aqui já tem um
significado enorme. Agora queremos fazer desses 15 anos um marco para o que vem
pela frente.”