Núcleo News
6 horas atrás

18º SBSS 2026 discute a estabilização e erradicação do Mycoplasma hyopneumoniae na suinocultura

Compartilhar

Palestrantes trouxeram exemplos dos Estados Unidos e práticas que podem ser adotadas no Brasil para combater o M. hyopneumoniae

As estratégias para estabilizar e eliminar o Mycoplasma hyopneumoniae foram tema de palestra do 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), nesta quarta-feira (12). O patógeno está associado a problemas respiratórios em suínos e pode comprometer o desempenho dos animais.

O médico veterinário Gustavo Silva discorreu sobre a situação atual no Estados Unidos e o histórico de incidência de M. hyopneumoniae, os aspectos práticos da epidemiologia, e classificação das granjas, os benefícios do controle e eliminação deste agente, além das dificuldades e oportunidades para o Brasil combater essa doença respiratória.

O doutor apresentou um caso brasileiro, em que uma granja de ciclo completo, localizada em Minas Gerais, que conseguiu fazer a eliminação do Mycoplasma. A propriedade utilizou uma técnica semelhante à de fechamento de rebanho, no qual se busca interromper a entrada de novos animais durante determinado período para reduzir a circulação do agente. “Num primeiro momento eles retiraram os animais da creche e terminação, porque é um ciclo completo, para criar esse espaço.Então foi criada uma janela de produção, onde eles limparam a granja para que esses novos animais negativos não tivessem contato com os animais mais velhos”, afirmou.

Gustavo trouxe exemplos de projetos desenvolvidos nos Estados Unidos e protocolos que têm funcionado com eficácia no país. Para o especialista, no Brasil um dos pontos que ainda precisa ser aprimorado é o planejamento dos fluxos de produção. "Nos Estados Unidos uma grande vantagem é o uso dos sítios de crescimento e desenvolvimento de leitoas (GDU), onde se consegue fazer uma aclimatação muito semelhante a uma quarentena, com um período que varia de acordo com o agente sanitário que está sendo controlado.”

A proposta, segundo o doutor, também pode ser adaptada ao Brasil. Na visão do especialista, o desafio é repensar as práticas do sistema. “É preciso perder o medo, fazer o exercício de selecionar uma granja e avaliar possíveis protocolos e retorno econômico. Os Estados Unidos não tem medo de errar e aqui no Brasil temos muitas oportunidades. Temos que analisar nosso próprio sistema e identificar oportunidades para controlar e eliminar o M. hyopneumoniae", frisou.

PROTOCOLOS ADOTADOS NOS EUA

O médico veterinário norte-americano Paul Yeske discutiu medidas para estabilizar os rebanhos em relação ao M. hyopneumoniae e métodos para eliminar o agente. De acordo com o especialista, um dos focos de atuação para a estabilização de rebanhos positivos é realizar a exposição dos animais ainda jovens. Essa medida vai permitir que o sistema imunológico desenvolva uma resposta antes que as fêmeas cheguem à fase de reprodução. A estratégia busca reduzir significativamente a eliminação do patógeno no momento do parto e, consequentemente, diminuir a transmissão das matrizes para os leitões.

Para isso, as medidas de ação prevêem que as futuras matrizes sejam expostas ao agente até os 80 dias de idade. A partir desse princípio, foram desenvolvidos sistemas específicos de preparação das leitoas, permitindo o período necessário para exposição e resposta imunológica. Com menor circulação do agente no momento do nascimento, a expectativa é reduzir a ocorrência de problemas respiratórios durante as fases de creche e terminação. “Desenvolvemos esses programas de aclimatação de modo a assegurar uma incidência muito baixa de doenças no momento do nascimento dos leitões. Assim temos menos doenças na creche e na terminação. Isso é a estabilização".

Quando o objetivo passa a ser a eliminação do agente do rebanho, o programa inclui uma estratégia de fechamento do plantel. Nesse processo, os animais que serão incorporados ao rebanho devem ser introduzidos no início do programa, evitando novas entradas durante um período determinado. Segundo o especialista, o período de 240 dias é um dos pontos críticos para o sucesso da estratégia.

“Durante esse intervalo, os animais são expostos, permitindo que o sistema imunológico reduza a quantidade de agente eliminado. Além disso, precisamos incorporar um programa de medicação para ajudar a reduzir a carga do patógeno e impulsionar o sucesso do processo", afirmou.

De acordo com o especialista, essas ferramentas podem ser adaptadas à realidade da suinocultura brasileira. O primeiro passo, porém, é compreender a importância da estabilização do rebanho. A introdução de animais negativos em plantéis positivos exige que a exposição ocorra ainda na fase inicial da vida. Caso contrário, os animais podem apresentar problemas respiratórios nas fases de crescimento e terminação.

A aplicação adequada das estratégias também pode gerar impactos positivos sobre os indicadores produtivos. Segundo os resultados apresentados, os programas contribuíram principalmente para melhorar o crescimento dos animais e a conversão alimentar, além de reduzir a mortalidade. Outro efeito observado foi a redução do uso de antibióticos.

“É possível vencer essa batalha. Surgirão novos métodos e continuaremos evoluindo. Mas hoje, os métodos que temos aplicado têm nos levado a altos percentuais de eliminação do M. hyopneumoniae. Temos apenas que seguir os protocolos, sem pegar atalhos. O protocolo de 240 dias é eficaz e, combinado com cronogramas de medicação corretos, traz resultados excelentes no controle e eliminação do Mycoplasma.”

Galeria de Fotos

Não perca nenhuma informação do Nucleovet ou dos eventos

Termos de Uso e Aviso de Cookies

Cookies: O Nucleovet salva estatísticas de visitas para melhorar sua experiência de navegação, obtenha mais informações em nossa Política de Privacidade