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22/11/2021

Sistemas de resfriamento abrem debates no último dia do Simpósio de Bovinocultura de Leite


Sistemas de resfriamento abrem debates no último dia do Simpósio de Bovinocultura de Leite

As vantagens de sistemas de resfriamento direto e indireto foram explanadas pelo médico veterinário, sócio da Cowcooling, Adriano Seddon, na primeira palestra desta quinta-feira (11) da programação do 10º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL). O evento é promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet) e paralelamente ocorre a 5ª Brasil Sul Milk Fair virtual.

Seddon iniciou sua explanação orientando que, antes de decidir sobre um sistema de resfriamento, é preciso avaliar a localização e o clima da região e quanto se perde financeiramente pelo estresse térmico dos animais. Também é fundamental pensar num sistema que atenda todas as vacas, avaliar a capacidade de investimento e se já existe instalações ou se será necessário fazer um projeto totalmente novo.

Segundo o especialista, é importante implantar um sistema de acordo com algumas prioridades. Primeiro deve-se atender as vacas em pré-parto e as vacas que estão no período seco. “Esse é o primeiro lote a receber investimento. É um número pequeno de animais, durante um curto período de tempo, o investimento é baixo e traz um retorno excelente”, expôs. Após, as vacas em pós-parto devem ser atendidas, pois estão em uma fase de transição que exige cuidados para melhorar a saúde e a produção. Por último, as vacas em lactação. “Seguindo essa ordem de prioridade é possível ter maior retorno”, sublinhou Seddon.

O palestrante explanou sobre dois sistemas de resfriamento: o direto e o indireto. No sistema direto, o vento precisa incidir sobre os animais atingindo a maior parte da superfície corporal. “É preciso molhar toda a vaca e depois evaporar essa água”, especificou Seddon. Na maior parte das vezes, se começa pela sala de espera e depois segue para a linha de cocho. “É preciso muito vento e muita água, mas a maioria das propriedades não atende o mínimo necessário”, alertou.

Além disso, o processo precisa ser homogêneo: o resfriamento deve ser feito várias vezes ao dia, com a mesma quantidade de água e vento. “Se existe vento natural, ele pode vir de qualquer direção e é necessário bloqueá-lo para que o vento mecânico incida sobre os animais. Usam-se cortinas laterais para direcionar o vento, além de aspersores”.

Os pontos positivos do resfriamento direto são que ele funciona em qualquer clima, pode ser usado em todos os sistemas de produção e é adaptável para instalações já existentes. Os aspectos negativos são: é mais trabalhoso, pois precisa levar as vacas para serem resfriadas; a tomada de decisão é menos automatizada, sendo necessário treinar a equipe; e há maior consumo de água. “Porém, é importante observar que, apesar de ter um gasto maior com água no resfriamento, quando é feito de maneira correta, os animais passam a ingerir menos água”, frisou Seddon.

O resfriamento indireto pode ser feito com ventilação cruzada (cross ventilation) ou com túnel de vento. Esse sistema é utilizado em instalações fechadas. Na ventilação cruzada o ambiente é climatizado a partir de placas evaporativas, que diminuem a temperatura, e exaustores. Normalmente, se utilizam as placas em uma lateral do barracão e os exaustores na outra.

É um sistema autônomo, tem eficiência elétrica quando construído de forma adequada e não há aumento do volume de dejetos, aspectos que Seddon considerou positivos. Os pontos negativos são: é específico para certas regiões; é preciso ter redundância elétrica, com geradores, pois se faltar energia haverá acúmulo de gases tóxicos que podem causar a morte dos animais; e há maior dependência de manutenção por ser totalmente automatizado. De acordo com o especialista, o sistema indireto funciona melhor em climas com alta temperatura e baixa umidade do ar, como no Brasil central, nos climas de cerrado e caatinga.

Seddon explicou, ainda, que na ventilação cruzada o ar se move de maneira transversal aos corredores de alimentação. Já no túnel de vento o ar segue pelo caminho mais fácil, tendo lugares dentro do barracão com boa ventilação e outros sem. “É preciso pensar muito nesses sistemas, em como será a passagem e a velocidade do ar e a temperatura, pois é isso que manterá o conforto dos animais”, salientou o palestrante.

Para Seddon, tanto o resfriamento direto quanto o indireto irão ser efetivos se usados da maneira correta. “O investimento em resfriamento é o resultado financeiro com o melhor retorno para as propriedades”, concluiu.

Apoio

O 10º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite tem apoio da Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa, do Conselho Regional de Medicina Veterinária de SC (CRMV/SC), da Embrapa Gado de Leite, do Icasa, da Prefeitura de Chapecó, do Sindicato dos Produtores Rurais de Chapecó, do Sistema FAESC/SENAR-SC, do Sindirações, da Sociedade Catarinense de Medicina Veterinária (Somevesc) e da Unochapecó.

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